Em 2008, numa resposta a uma grande amiga portuguesa, disse-lhe: "... quanto a informação sobre a China, a verdade é que só é idiota quem quer e só é tratado como idiota quem quer. E disso eu vi muito em Portugal, e os que sempre foram ainda estavam mais. Os media fazem as opiniões. E confesso-te que da última vez que estive em Portugal me assustou a forma como a mentira e a confusão eram tão difundidas, subtil ou descaradamente, e tão facilmente assimiladas. E o pior é que poucos se incomodavam com isso.".
Mas não me interpretem mal, o problema não está só em Portugal. Está no império americano e em todos os seus lacaios. Mas a solução está em todo o lado também, em todas as pessoas que achem que o mundo imperial é incrivelmente absurdo, injusto e surreal. Todos os que cruzarem os braços e se resignarem perante a inevitabilidade do império são tão culpados como o próprio império.
Mas... o que estou a fazer? Vim agora a este mundo cibernético para escrever um pouco sobre a nossa incursão pela fascinante e remota China... Deve ser por causa desta Estrela Vermelha aqui ao lado.
Mas continuando, isto dava um filme chinês. Até podia aparecer o Sun Wukong (Monkey King) com aquele risinho estúpido.
Em Novembro, depois de quase 3 semanas em Xizang (ou Tibete) rodeados por cenários tão belos que ficarão nas nossas memórias para sempre (onde batemos alguns recordes engraçados naquelas montanhas, mas duvido que possam ser escritos no Guinness...), no meio de uma monumental bebedeira onde já nem víamos a dobrar, víamos a dobrar do dobrar, a Isabella e eu tivemos a brilhante ideia de fazer uma pequena alteração ao plano inicial de viagem:
I: Não sei se temos tempo mas e se fossemos ver a barragem das Três Gargantas? Fica muito longe daqui?
R: Um bocadinho. Acho que fica em Hubei. Como o nome indica é a província acima da primeira que visitamos, Hunan.
I: Achas que está frio?
R: Acho, mas não mais do que está aqui. É uma excelente ideia, Isa. Vamos fazer isso. :)
I: :)
Nem pensamos duas vezes. A aventura pelo desconhecido e o amor pela imprevisibilidade marcaram a nossa viagem desde o início (ou possivelmente as nossas vidas desde o início). Foi esse, talvez, o nosso maior fascínio e entusiasmo.
E então com esta emenda ao plano, fomos para Wuhan e Yichang (onde estão as Três Gargantas) na província de Hubei.
Mas a caminho de Wuhan o que aconteceu? Uma anomalia inesperada. Perdemos uma carteira com o dinheiro que tínhamos connosco e o meu passaporte. Não era muito grave, desde que começamos esta viagem já resolvemos problemas bem mais complicados.
Mas pronto, o que importava agora era olhar em frente. Para aquelas duas boazonas que se estão ali a despir. AHAHAHAHAH!! Esta piada não é minha, ouvia-a há uns anos num Herman Enciclopédia.
Mais a sério, como era noite, optamos por ir a uma esquadra da polícia reportar o que perdemos. Fazia sentido que precisasse de uma declaração da polícia para conseguir depois um passaporte novo e, principalmente porque, tínhamos assim sítio para passar a noite. Uma das celas, como sugerimos. Mas os polícias disseram-nos que não era preciso (possivelmente com receio que fizéssemos uns filmes XXX e depois os vendêssemos na internet, não sei) e levaram-nos para uma estalagem que acolheu-nos, alimentou-nos e ofereceu-nos tudo o que precisássemos. Onde ficamos uns dias.
Gente tão prestável e simpática exactamente quando precisávamos. Nada daquilo poderia ser pago com meras palavras mas dadas as precárias condições em que viajávamos e em que nos encontrávamos, não havia muito mais a oferecer. Apenas beijos e abraços fraternos.
Este foi sem dúvida um momento distinto desta "caminhada". Ou desistíamos e voltávamos para Shanghai ou continuávamos.
Sem nada a temer.
Nunca desistimos de nada e decidimos continuar, ainda com mais vontade. Tínhamos de completar... o círculo.
Ainda tínhamos o passaporte dela e por acaso tinha uma cópia do meu, se fosse necessário. Depois de Wuhan, Yichang e da magnifica e gigantesca Hidroeléctrica das Três Gargantas, onde fizemos fotografias espantosas e que nos encheu de satisfação quando a vimos pela primeira vez. Principalmente por termos insistido quase cegamente em ir àquele lugar, apesar de todas as contrariedades que nos aconteceram. Sem palavras, percebemos no olhar de ambos, o quão orgulhosos estávamos um do outro. Com um beijo, concordamos que íamos juntos até ao fim.
Fomos depois de comboio até Lanzhou (Gansu), onde vimos uma Dança do Dragão e do Leão (a águia ou galinha já não sabe dançar...), e depois Xining (Qinhai), onde passamos uns dias e recuperamos forças antes de continuarmos na rota da seda em Xinjiang.
Continuamos o nosso caminho e estivemos ontem em Urumqi, e agora dentro do deserto Takelamagan por todos estes lugares mais ou menos desérticos e de belezas únicas. Tão diferentes de toda a China que conhecemos até agora.
Numa conversa concluímos que há realmente algo que encontramos em todos os lugares por onde passamos. O amor, o carinho e a tentativa de nos ajudarem sempre da melhor maneira possível. Devemos muito a todos os que se cruzaram connosco até agora. É tão gratificante estar tão perto da espécie humana. A verdadeira, não o sub-produto nojento com uma obsessão por um estilo de vida surreal transmitido pela teelvisão.
A única vez que tinha estado num deserto foi no Saara há uns anos. Espantosas formas de vida por aqui também, lutas pela sobrevivência. Não há Tuaregues por aqui mas, se não me engano, tuaregue quer dizer em árabe qualquer coisa como "abandonado pelos deuses". Bem... desde que nasci, os deuses foram abandonados por mim. Devo ser um Tuaregue ao contrário. Ou um Tuaregue ateu. Mas também estou na China, os deuses e os pseudo-salvadores meta-físicos ou mitológicos não podem entrar aqui.
No deserto Takelamagan as paisagens de dunas de areia são indescritivelmente lindas e impressionantes. As noites são muito frias e agora os dias também. Já vimos nevar num deserto. É algo que não se vê todos os dias, acho eu. E quando o vento sopra... se não fossem estas roupas e mantas estranhíssimas que nos ofereceram em Tulufan, já tínhamos congelado há muito. Mas estamos finalmente na rota da seda de Xinjiang. Desde o início que este era um dos nossos maiores objectivos. O plano é irmos até ao extremo oeste da China, Kashi.
Seja de comboio ou camioneta ou caravana de camelos ou a pé.
Em Urumqi, uns simpáticos chineses daquela cidade disseram-nos que Kashi ia dos 40 graus no verão a -40 no inverno. Não sei se é verdade, mas ficamos ainda com mais curiosidade em conhecê-la.
Esta está a ser a continuidade perfeita à nossa mágica viagem.
Sem querer comparar graus de frio (até porque foram/são os dois incrivelmente frios), este frio é diferente do que tivemos em Xizang (ou Tibete). Em Xizang, lembro-me de descolar com as unhas o gelo acumulado da cara da Isabella e ela da minha (nunca mais deixo crescer barba...), aqui no deserto tem sido mais o vento também ele ultra-congelado.
Mas há uma semelhança em ambos os lugares, a partir de um certo grau de frio, seja lá ou aqui, deixamos de sentir frio. Ou calor. Ou o que quer que seja, na verdade. De qualquer das maneiras, talvez não tenhamos de amputar extremidades do corpo...
Mais a sério, sem querer comparar as montanhas que verdadeiros alpinistas sobem e as que nós subimos na cordilheira do Himalaia (apesar de também as termos escalado sem oxigénio artificial...) ou as lutas diárias destes chineses do deserto quer contra o frio desmedido quer contra o calor sufocante, admiro ainda mais os que têm coragem de enfrentar aqueles ou estes extremos de temperatura.
A China é maravilhosa e todas as diferenças/riquezas cénicas, culturais, paisagísticas tornam-na incomparável. Por muitos anormais, cretinos e/ou betada que Portugal, ou qualquer outro país do império, mande para aqui para "Contactarem" e encherem os bolsos, desinformarem e manterem a falácia.
As praias de Dalian ou Xiamen ou Hainan, as montanhas de neve em Yunnan e em Xizang (ou Tibete), a cidade do gelo (Harbin) que vamos visitar em Janeiro ou Fevereiro, os cenários mágicos de Hangzhou, Xi'an ou Guilin, este deserto e certamente o de Gobi, a cultura e todas as culturas em todas as cidades chinesas. O melhor do Mundo está aqui, na China. E nós fazemos parte dela.
A China não é um país, é um Mundo diferente. Um Mundo melhor. Muito melhor.
Orgulho-me muito de tudo o que estamos a fazer e da extraordinária companheira que tenho ao meu lado. Isto, sim, é viver.
É sabido que mais cedo ou mais tarde a nossa vida tem de acabar, o que importa é irmos até ao infinito entretanto.
Viver a sério, tudo o resto é morte lenta. O pior da espécie.
Pessoas diferentes, sem qualquer contacto entre elas, que me conheceram bem (de uma forma ou de outra) dedicaram-me algumas vezes, nos últimos anos, este poema. Quer quando ainda vivia em Portugal quer quando passei a viver na China.
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Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Obrigado! :)
Antes de mais, simpaticamente enviaram-me um mail num dia destes, duma universidade da China, a agradecer-me pelo que tenho escrito e a referir que o meu blog é ali objecto de estudo em aulas de português. Fiquei naturalmente muito contente mas não vou mudar nada do que escrevi. Quer seja sobre o glorigozo, quer volte a dizer que os Estados Unidos são comandados por forças fascistas.
Mas continuando, vai haver um eclipse total do sol na China na próxima quarta-feira. Por coincidência, nesse dia estarei a voar entre Shanghai e Xianggang (Hongkong). Pode ser que tire fotos, afinal de contas dizem que o próximo eclipse total do sol só vai acontecer daqui a 300 anos. E sei que pode ser um choque para muitos, mas sei de fonte segura que não vou ver esse.
De resto, é um facto que fico muito contente quando vejo a minha estrela vermelha tatuada no braço direito (ainda mais agora no verão), não só pelo que representa para mim mas também pela cara com que todos ficam quando a vêem. Caras simpáticas de aprovação e orgulho ou outras sem saberem o que fazer ou dizer.
Depois de espalhar pelo meu último site a frase: "Hospitals of the world, unite!" lembrei-me de uma antiga namorada que de vez em quando me dizia, meio na brincadeira meio a sério, "Rui, menos...".
Mas um dia destes num jantar, uma amiga chinesa perguntou-me a propósito da minha estrela: "Mas e se alguma vez fores aos Estados Unidos?", ao que lhe respondi, sorrindo: "Linda, só tinha uma razão para ir a esse país. Mas o Bin Laden roubou-me a ideia...".
A China deu-me tudo o que queria. Mais até do que esperava. Reparo que aqui estive (nem que fosse apenas por umas semanas) com as únicas pessoas que me importaram em Portugal, ou que me passaram a importar desde que vivo na China. Esta triagem deu-me o que queria, separar o trigo do joio (sem qualquer referência bíblica...). E estar com a minha família, pelo menos a que me importa, e com as pessoas que estão mais perto do coração que o sangue.
Uns Estados Unidos que conseguiram fazer o que Hitler não conseguiu, e nem sequer com atitudes diferentes. Aprisionar parte do mundo numa nova ordem mundial. E para isso só precisou de mudar um bocadinho a sua comunicação com os seus súbditos ou lacaios.
Uma ICAR que devia ter desaparecido juntamente com o seu inventor, o império romano, mas que o império do momento a usa com os mesmos objectivos. Os insatisfeitos e inseguros sexuais sempre foram muitos. Mas na verdade este império é diferente, usa todas as mitologias esotéricas de forma a espalhar mais medo.
O que me importa é que me tiraste daquele mundinho mesquinho e... sou o gajo mais feliz que conheço. Deste-me o que eu queria.
Hubert: Regarde le celui-là, il a pas l'air méchant tout seul dans son cuir en peau de fesse de chèvre! Mais c'est la pire des races. Tu vois ceux qui s'arrêtent de marcher dans les escaliers mécaniques, ceux qui se laissent porter par le système? C'est les mêmes qui votent Le Pen (n.a.: ou em qualquer outro fascista, em qualquer outro país no mundo, mais ou menos disfarçado) mais qui sont pas racistes, c'est les mêmes qui font des grèves pour protester dès que les escalators y tombent en panne, la pire des races!
Como já foi dito, o que importa não é a queda. É a aterragem.
Algumas pessoas perguntam-me ainda hoje, 3 anos depois, sobre o porquê de ter fugido vindo para a República Popular da China. As respostas nem sempre são fáceis... mas esta é.
O facto da TVI ser na altura (e continuar a ser) a teelvisão mais vista em Portugal pode ajudar a desvendar esse mistério. O facto de metade dos feriados em Portugal serem da religião que fundou Portugal, que não é a minha por opção própria e que não gosto nada (tal como de qualquer outra), também. E podia continuar, mas não é esse o principal propósito deste artigo...
Cada vez estou mais contente por ter decidido vir para a China. Estou feliz por me ter poupado a ser constantemente bombardeado pelo império por quase-notícias duma parcialidade gritante, descarada e absurda. A última dos meios de masturbação mental imperiais aconteceu nos últimos dias por causa das eleições no Irão. É impressionante a forma como o império tenta e consegue moldar o interior das cabeças dos seus súbditos...
Não tive o "prazer" de ver as pseudo-notícias nos pseudo-telejornais portugueses mas não deviam andar muito longe das ridículas manchetes do JN, DN, Público, Expresso e outros, no resto do ocidente as mesmas nojentas manipulações no New York Times, El Pais, Le Monde ou The Times mostraram bem como o absurdo circulou mais uma vez por esse lado. Porque podem ser azuis, brancos ou pretos mas as mentiras do império são as mesmas.
Mas depois lá tiveram de admitir que o "ultra-conservador" afinal foi eleito... com mais de dois terços dos votos (?!) dos iranianos, numa afluência às urnas de mais de 80%. E esperado também, tentam agora dizer que foi tudo falsificado.
Os métodos do império andam a ficar muito previsíveis...
Ao contrário da história do Saramago, só é cego quem quer.
Na semana passada foi finalmente confirmada a presença de Portugal na Expo 2010 aqui em Shanghai.
Não me interpretem mal, desengane-se quem acha que nalguma fugaz e inesperada crise de patriotismo saloio eu ficaria especialmente contente com isso.
O Parque Expo é mais uma vez responsável pela presença portuguesa nestes eventos mas infelizmente ainda não é conhecido o design do pavilhão de Portugal, mas à parte do pavilhão de Macau que na minha opinião é absurdamente ridículo, todos os outros têm uma arquitectura simplesmente impressionante. E enquadrar-se-ão perfeitamente em Shanghai. Alguns podem ser vistos no site oficial.
A Expo 2010 poderá ser visitada de 1 de Maio a 31 de Outubro de 2010 (de repente lembro-me de dois dos mais importantes feriados da China, 1 de Maio e 1 de Outubro, englobados nesse espaço de tempo) e são esperados na Expo 2010 entre 70 a 100 milhões de visitantes.
Evidentemente que o meu apartamento está sempre disponível para os meus amigos e para as minhas amigas! :)
Quer dizer, não para todos ao mesmo tempo... mas perceberam a ideia. :D
É verdade! No sábado passado foi comemorado o 35º aniversário da Revolução dos Cravos.
25 de Abril sempre! Fascismo nunca mais! (Se bem que o fascismo anda por aí bem perto e em qualquer televisão perto de si. Curiosamente transportado por povos que outrora foram vítimas desse fascismo, Judeus e Afro-americanos. Prova que as pessoas não são, fazem-se.
E muitos fizeram-se e fazem muito mal.)
Começou bem e acabou ainda melhor.
Portugal mostrou o seu grande potencial no modalidade de boccia (BC1) ontem.
A final foi completamente portuguesa e foi vencida pelo João Paulo Fernandes (que repetiu o ouro de Atenas) enquanto que a medalha de prata foi para António Marques.
Estes, sim, são magníficos atletas. Do melhor no mundo.
A minha primeira fotografia profissional. Foi tirada este ano no Porto e uma empresa da China pediu-me para utilizá-la como imagem de um evento.
Para quem não conhece a vista, foi uma fotografia tirada de Vila Nova de Gaia com vista para o rio Douro, ponte D. Luís I e Ribeira em primeiro plano.
Serviu para a promoção duma iniciativa de prova de alguns vinhos de Portugal e Espanha desta empresa chinesa que comercializa vários vinhos e bebidas alcoólicas de todo o mundo.
O Nelson Évora conseguiu uma medalha de ouro (tinhas razão Cátia!!) :D no Triplo Salto hoje à noite saltando 17.67 metros.
Finalmente a Portuguesa tocou bem alto em Beijing.
Fiquei contente por ter avisado a tempo e agora já estamos claramente à frente da República Dominicana e das Antilhas Holandesas.
A menina que está na imagem anterior é a Guo Jingjing e ganhou mais uma medalha de ouro para a República Popular da China (que já tem 39, quase o dobro das medalhas de ouro dos EUA que estão em segundo) na modalidade de salto para a água com prancha a 3 metros.
As atletas chinesas dominam completamente esta modalidade há já 6 Jogos Olímpicos consecutivos.
Este atleta é o Liu Xiang, vencedor dos 110m barreiras nos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004. A par do basquetebolista Yao Ming, é um dos atletas mais populares da República Popular da China. No início da sua prova ressentiu-se de uma lesão no calcanhar e não chegou a competir.
Estas duas fotos, são da portuguesa Vanessa Fernandes (uma atleta do norte que emigrou para a mouraria) que conseguiu ontem a primeira medalha de prata para Portugal na prova de Triatlo, sendo que o ouro e o bronze foram para duas atletas australianas.
Pela qualidade da Vanessa, esta era talvez a mais óbvia medalha ganha por uma atleta portuguesa. De resto, os Jogos Olímpicos estão a acabar... talvez seja um boa altura de ganharem mais qualquer coisa, não?
Eu até gostava de ouvir um telejornal ou ler uma revista/jornal de Portugal para perceber em directo e em primeiro plano as idiotices que estão a dizer sobre a China. Fazendo com que quem já não tenha ideia nenhuma da China, fique a saber ainda menos. A chamada confusão, ou masturbação mental.
Ontem disseram-me que andam a dizer que em Beijing estão a acabar com os Hutong por causa dos Jogos Olímpicos.
Que estão a acabar com alguns Hutong é verdade... há séculos. E há séculos que reconstroem ou constroem outros de raiz.
Porque quem conhece grande parte das cidades chinesas entre as quais Beijing ou Shanghai sabe que são cidades de extremos de temperatura por razões puramente atmosféricas, e as casas precisam de novas condições e técnicas, principalmente de engenharia, para serem habitadas.
Este tipo de construção faz parte da história arquitectónica de Beijing. Tal como as Longtang em Shanghai.
As Hutong de Beijing ou as Longtang de Shanghai são uma espécie de cidade dentro das cidades, são lugares que têm comércio e serviços de tudo e mais alguma coisa, que tem uma disposição arquitectónica muito particular, onde vivem milhares e milhares de pessoas de uma forma comunitária única e com relações humanas muito especiais e acima de tudo são muito chinesas (definição que muitos não perceberão o que quer dizer).
Eu já vivi numa Longtang aqui em Shanghai.
Mas a subtileza aqui, "é por causa dos Jogos Olímpicos". A confusão e mentira estão mesmo aí.
Como era previsível, a China lidera a lista de medalhados nestes Jogos Olímpicos. Quer em Medalhas de Ouro (6), quer em total de Medalhas (8).
Em Atenas, a China já foi o segundo país com mais Medalhas de Ouro tendo ficado a 3 dos EUA.
Quanto a Portugal, a única portuguesa que vi até agora foi a Sara Oliveira que ficou em terceiro lugar numa prova preliminar de natação de 100m Mariposa.
Começou o terceiro dia de competições, e as prestações têm sido impressionantes até agora.
Gostei da Cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos Beijing 2008. Foi um excelente espectáculo de música, cor, fogo de artifício com claras referências a grandes momentos na vasta e riquíssima cultura e história chinesas.
A cobertura televisiva foi bastante boa mas foi pena não ter filmado a cara do ranger do Texas quando entraram as equipas olímpicas do Iraque seguida da do Irão e foram brindadas com uma monumental salva de palmas.
Mas e se partilhasse convosco um momento em que Shanghai esteve por momentos perto de Braga? (mas não da Sé de Braga porque não me dou com gente estranha)
A jornalista foi a Cátia Castro para a Rádio Universitária do Minho.
Em tempos (há alguns anos...) fui militante do Partido Comunista Português. Há já alguns anos também deixei de o ser.
Apesar de ser Marxista-Leninista.
Respeito muito, contudo, todas aquelas e aqueles que têm um sentimento patriótico por Portugal muito diferente do meu.
Sentimento esse que, tenuemente, também já tive em tempos.
Depois de uma viagem Londres - Shanghai um pouco atribulada por causa de um tufão na China, onde por exemplo o avião ao aterrar balançava de tal maneira que quase batia com as asas no chão, cheguei bem a Shanghai e muito contente por ter voltado.
Mas dois anos depois voltei a Portugal e não foi difícil nem demorou muito tempo até perceber que tão cedo não volto a viver ali... não sou um emigrante mas sim um refugiado.
Disse muitas vezes que Portugal estava essencialmente na mesma dois anos depois mas não é verdade ou pelo menos não muito preciso. Seguiu, isso sim, o caminho reaccionário em que já estava enterrado.
De cada vez que ligava a televisão fosse na RTP1, RTP2, SIC, TVI ou de cada vez que lia um qualquer jornal percebia a razão da estupidez, hipocrisia e mesquinhez generalizadas com mentiras mais ou menos disfarçadas e falaciosas.
Igreja, império e a sua sucursal neste país vulgo governo português, politiquice, mentiras, subtilezas, mediocridade. Tudo junto, a toda a hora, mostraram-me que este não é actualmente um país para mim.
Nesta última vez que fui a Lisboa conheci duas viajantes chinesas que andavam a conhecer Portugal. Estava sentado num banco da estação de Santa Apolónia à espera do alfa para me trazer para o Porto quando me apercebi que falavam chinês por ali enquanto olhavam para mim, soube mais tarde que falavam da minha estrela vermelha.
Eu abordei-as e apesar do espanto inicial pelo meu "ni hao", estivemos algum tempo a conversar e a trocar impressões sobre Portugal e a China. Elas disseram-me que eram as duas de Beijing e que tinham chegado há cerca de uma semana e tinham conhecido Lisboa e agora iam para o Porto. Por coincidência fomos no mesmo comboio e durante a viagem fui-lhes dizendo quais os mais emblemáticos locais no Porto para visitar.
Percebi que elas ficaram bastante contentes pela ajuda e lembrei-me logo da Lee Kiki e da Suzen Ding que em 2006 me ajudaram a chegar à China e a Shanghai mesmo antes de ter saido de Portugal.
Na passada segunda para terça, foi a noite de um santo popular no Porto.
Se o termo “santo” me incomoda, o termo “popular” parece-me bem. Para desempatar isto, “estar com amigos” e “bebedeira monumental” fazem com que esta noite seja engraçada.
Comecei na Casa da Música, num concerto da Orquestra Nacional do Porto (que por causa das condições climatéricas aconteceu dentro da Casa), depois vi parte do concerto dos Irmãos Catita no exterior da Casa onde não faltaram os clássicos “Em Paris Há Gajas Boas” e “Putas”. E começou a Grande Marcha. Depois encontrei-me com alguns amigos e amigas na praia da Luz na Foz, e rumamos à Ribeira. Muita vodka e cerveja depois (não me lembro se parou de chover ou não...) fomos em direcção aos Aliados e até à Maia o pelotão foi ficando pelo caminho. Eu fiquei em S. Mamede de Infesta. Parece que andamos mais de 20 km...
O meu irmão ofereceu-me o número especial 6 da Gazeta Literária que assinala os 125 anos da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto.
Estes são os dois extratos de A Mãe de Máximo Gorki (1868 – 1936):
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- Ajuda-me! Dá-me livros, daqueles que um homem, depois de lê-los, não encontre sossego. É preciso meter-lhes um ouriço debaixo do crânio, um ouriço com espinhos aguçados! Diz à tua gente da cidade, que escreve para vocês, que escreva também para o campo! Que o façam de tal maneira que o campo ferva como pez, que o povo se lance na luta para a vida ou para a morte!
Levantou o braço e, pronunciando distintamente cada palavra, disse em voz surda:
- Curar a morte com a morte, aí está! Portanto, é preciso morrer, para que os homens ressuscitem. E que morram milhares para que ressuscitem milhões em toda a Terra. Aí está. É fácil morrer. Que os homens ressuscitem, que se levantem!
A mãe trouxe o samovar, olhando Ribine de soslaio. As suas palavras, duras e fortes, deprimiam na. E havia nele qualquer coisa que lhe fazia lembrar o marido, também ele arreganhando os dentes, agitando os braços, arregaçando as mangas, também nele vivia a mesma raiva impaciente, embora muda. Este falava. E era menos terrível.
In A Mãe, pág. 127, ed. Caminho, 1986; trad. António Pescada
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Quando eu era miúdo, com os meus 10 anos, quis apanhar o Sol com um copo. Peguei no copo, aproximei-me sorrateiramente, e zás, com o copo na parede! Cortei a mão e bateram-me por isso.
Quando me bateram, saí para o pátio e vi o sol reflectido numa poça e vá de espezinhá-lo. Fiquei todo enlameado, e voltaram a bater-me... Que fazer? Comecei a gritar ao Sol: ”Não me doi, diabo ruivo, não me dói!” E deitava-lhe a língua de fora.
In A Mãe, pág. 136, ed. Caminho, 1986; trad. António Pescada
Estou em Portugal há cerca de 10 dias.
Dois anos depois não noto grandes diferenças nas cidades e lugares a que regressei. Porto, Aveiro, Lisboa, Coimbra, Braga e Gerês parecem-me essencialmente na mesma. Duvido que o mesmo se passe com Shanghai um mês depois.
Mas fiz bem em vir a Portugal. Tal como o previ, não foi fácil ir a alguns lugares mas precisava de o fazer. Alguns estranharam o facto eu não querer conduzir (e de deixar a carta de condução em Shanghai), muitos perceberam quase imediatamente o porquê.
Tal como afirmei antes de vir, a primeira coisa que fiz em solo português foi beber um café perto da Portela. E desde então tenho voltado a muitos lugares espalhados por Portugal, voltei a provar muitas das grandes especialidades gastronómicas portuguesas. E estou a gostar muito de estar com a minha família, com os meus amigos e a rever um Portugal que deixei.
De resto, fiquei muito contente com as manifestações do pai de uma amiga minha ou de um senhor de Salvaterra de Magos que tiveram comigo relativamente ao ruinix.net.
Nota positiva: A diminuição da manifestação de saloiada com bandeiras penduradas nas janelas.
Nota negativa: A quantidade de igrejas nesta terra.
Na sexta-feira fui ao Bom Sucesso ver o Sexo e a Cidade...
É díficil descrever o filme (lembro-me que nenhum episódio desta série me conseguiu prender até ao final)... mas achei piada às palavras do Rui Reininho:
"O Sexo e a Cidade irrita-me. Aquelas choquinhas a falarem do clítoris e dos gajos... Naquelas vaginas nem o meu cartão visa metia".
É justo.
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