Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008
O opus-deiano Paulo Teixeira Pinto ainda nem sabe bem o que fazer à indemnização de dez milhões de euros pela saída do BCP e com a vergonha de, antes dos 50 anos, ficar obrigado a receber até ao fim da vida 500 mil euros anuais, quando o Banco a que presidia começou a receber visitas... judiciais. Mas já arranjou um novo trabalho, vai dirigir a Causa Real.
O pio presidente, além das missas que vai dinamizar pela família quase real de Bragança, que bem precisa, para sufragar as almas de quem tanto pecou e tão mal fez ao País, vai iniciar as funções de presidente da Causa Real.
O país já esqueceu que, na sequência da tentativa revolucionária de 28-01-1908, o rei D. Carlos assinou em 31-01-1908, em Vila Viçosa, o decreto que legitimava a ditadura de João Franco, o encerramento dos jornais, o fecho do Parlamento, permitindo o desterro para Timor de grande parte da oposição republicana e até monárquica, mas a História é impiedosa a recordar o que deu origem ao regicídio e não esquece que os vilipendiados Manuel Buíça e Alfredo Costa foram os mártires que deram a vida para vingar a afronta desse decreto.
Mas a liberdade é um mero detalhe para o Opus Dei, uma instituição que apoiou a mais cruel ditadura do século passado na península Ibérica, a de Francisco Franco, e muitas outras na América do Sul, enquanto o mentor, monsenhor Escrivá, fazia uma carreira de tanta santidade que lhe bastou morrer para ser elevado aos altares.
Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007
"É a aldeia global, explicam num júbilo imbecil, prontos a desfilar o rosário de últimos acontecimentos, sem discernirem que, contrariamente ao mundo observado directamente, em que a relação com o real é absoluta, estão a consumir meros resumos simplificados de realidade, manipulados num fluxo de imagens de que são simples espectadores e cuja escolha, cadência e direcção não controlam nem têm possibilidade de verificar a veracidade e em que, finalmente, no frenesim meticulosamente planeado de dados surpreendentes, o que verdadeiramente importa se mantém secreto."
Há coisas que não entendo. Toda a gente em Portugal diz que o País está muito mal, é um País injusto que perde as suas referências culturais e não as lembra, que o sistema político do partido único PS/PSD não funciona, que os políticos do poder dizem umas coisas e fazem outras, que os jogos de interesses e manobras de influências são tão absurdamente claras que o Povo Português nem dá grande atenção, seja da Opus Dei do Jardim Gonçalves ou dos jogos da família Soares em Angola, que os trabalhadores são explorados, no trabalho, no crédito bancário (quando os bancos, sem qualquer vergonha, afirmam que têm os maiores lucros de sempre), na politiquice, nos joguinhos das bolsas, há até quem diga que devemos fechar o tasco e oferecer as chaves a vizinha Espanhola mas ninguém faz realmente nada nem se junta a quem pretende realmente fazer alguma coisa. Faz falta agitar a malta? Talvez. Portugal não está melhor do que estava antes do 25 de Abril. "Há mais abertura dizem". Abertura a quê? Aos Estados Unidos? Agora já se vende Coca-Cola? Eu sei que Portugal está inserido e dependente da União Europeia, está inserido na NATO e que ambas as organizações estão completamente controladas pelos Estados Unidos. Sei que toda esta confusão de responsabilidades faz com que não haja um responsável. Ainda mais quando as pessoas voluntariamente se encarceram em frente à televisão.
O que importa é por toda a gente a falar de outras coisas para não se aperceberem bem o que é a sua vida. Seja de um programa de televisão ou da Casa Pia, do Apito Dourado porque se envolver figuras mais mediáticas tanto melhor. O que importa é dizer que o Pinto da Costa foi acusado de mais alguma coisa, que o Luís Filipe Vieira não tem jeito nenhum para dirigir um clube de futebol, que afinal podem ser os Pais os responsáveis pelo desaparecimento da miúda Inglesa porque assim nem se liga muito ao aumento das taxas de juro, ao salário mínimo que é metade que espanhol (isto para não ir mais longe na Europa...), ao trabalho, sem direitos, a recibos verdes, às humilhações e explorações profissionais.
Depois há a religião. É evidente que sou comunista, ateu e desprezo a ICAR mas na verdade não tenho nada contra a fé. A fé para mim é outra coisa mas cada um está no direito de acreditar no que quiser.
Estou contra, isso sim, o aproveitamento da fé por parasitas de anéis e batinas que se regozijam de cada vez que alguém rasteja de joelhos em Fátima ou em Lourdes ou de cada vez que fazem espectáculos sub-humanos de crucificação de pessoas vivas nas Filipinas. Este é o pior lado da religião, a antítese da espiritualidade, desde os aspectos humano e religioso até às infra-estruturas, ao negócio e à ostentação. É a consequência clara da Idade Média, da inquisição, das fogueiras de bruxas e livros. Das ligações entre nazis, fascistas e Vaticano.
A televisão transmite a "realidade". E a globalização da inércia faz que nunca se tenha vontade de mudar. Até quando? Muda. Que quando a gente muda, o Mundo muda com a gente.
Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2006
Morreu o Pinochet com 91 anos. Muitos perguntam-se porque é que este ediondo ditador fascista nunca foi julgado nem no Chile nem no Tribunal Internacional de Haia?
A resposta é simples e obvia, por causa dos amigos que tinha no Vaticano e na Opus Dei e pelos amigos nos Estados Unidos. Certamente porque não era comunista nem tinha armas de destruição massiva. Não precisava.
Desde o golpe de estado que protagonizou com a ajuda da CIA e do governo americano de Richard Nixon e Henry Kissinger a 11 de Setembro de 1973 em que depôs o democraticamente eleito comunista Salvador Allende, mais de 3000 chilenos foram assassinados e 200 mil exilados. Mas pelo menos não era comunista...
Muitos perguntam-me de todas as coisas o que me revolta mais. É isto.