Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007
Hoje o dia está mais limpo, respira-se melhor. O SIM venceu. E o grande vencedor foi o Povo Português. E as mulheres, que se libertaram da clandestinidade e dos riscos que lhe estavam associados: perigo de vida, perseguições judiciais, devassa da vida íntima e humilhações cruéis.
Mas foi uma grande derrota da ICAR às mãos do Povo Português, a primeira humilhação do clero pelos eleitores, o desprezo pela Conferência Episcopal Portuguesa, o vilipêndio do papa e o desdém pelas lágrimas de sangue com que a Senhora de Fátima sujou as caixas de correio dos portugueses.
Finalmente, o pecado deixou de fazer parte do Código Penal. A vocação totalitária da Igreja romana pereceu nas urnas com padres-nossos, missas, terços e novenas desperdiçados na campanha terrorista do Não.
Esta é uma vitória civilizacional e estou muito contente por Portugal.
Sábado, 10 de Fevereiro de 2007
Depois de contactar a Embaixada Portuguesa em Pequim para saber o que devia fazer para votar no dia 11 de Fevereiro, e não vou referir nomes (não quero arranjar problemas a ninguém até porque já me ajudaram noutra situação) disseram-me que nos termos da Lei do Referendo como não estava em Portugal não podia votar (e este foi o momento em que 95% dos emigrantes desistem de votar), mas como eu pertenço aos outros 5% contactei o Consulado e disseram-me que sim, claro que podia, só tinha de ir lá e apresentar o passaporte.
Não vou escrever mais nada sobre este referendo, e depois de ler teorias de que o "Sim" perdeu de propósito em 1998 para poder confundir agora o povo português e de ler alguns dos textos absolutamente bizarros, absurdos e medievais do José Policarpo ou do Gentil Martins (ICAR e Opus Dei portuguesas) que na verdade consideram a prisão até 3 anos uma pena insuficiente para um crime que só as fogueiras purificariam e nem vou voltar a referir que a maior parte dos políticos (PS, BE, PSD e PP) são cobardes por não terem resolvido este problema onde e quando podiam e deviam mas de qualquer das maneiras não os perdoem porque eles (igreja e políticos cobardes) sabem o que fazem.
Disse o que penso
aqui,
aqui e
aqui.
Este post da Vera também está muito bom.
E portanto só me resta pegar numa caneta e passaporte, enfiar-me num comboio e ir a Pequim exercer o meu dever cívico e de justiça e votar
SIM.
Eu vou fazer 1000km para votar. E tu?
Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007
Mas quem é o Politrapo para falar de sexo?
Alguém já ouviu um cego dizer que não gosta da paisagem? Um surdo a dizer que está muito barulho? Um perneta a vencer a maratona?
Foda-se, que seita.
Castidade é o caminho do sexo, diz ele. Os sado-masoquistas dirão o mesmo do sado-masoquismo. Bem como os homossexuais da homossexualidade. Os heterossexuais da heterossexualidade. Os bissexuais da bissexualidade. Os trissexuais da trissexualidade. Os que gostam de sexo com animais. Os que gostam de sexo com utensílios.
Quem são estes artistas para serem ouvidos? Este a falar de sexo. O R16 a comparar as mulheres que abortam a terroristas.
Ah são iluminados pelo senhor. Seja lá quem for o senhor, alguém lhe diga para apagar a luz porque estes gajos só dizem merda.
Sábado, 20 de Janeiro de 2007
Chegou-me isto e outras pérolas por mail a propósito da campanha terrorista e de desinformação que a ICAR está a fazer em Portugal e que fala claramente em D. José Policarpo como a voz que deve ser seguida neste assunto. Obrigado Paulo.
Mas verdade seja dita nota-se uma evolução. Já não é o churrasco de bébés como da última vez.

Portugal é um país tão fundamentalista religioso como os EUA ou qualquer país Árabe. Acho que sempre soube isto mas estando a viver num país onde o peso político da religião é zero, a situação em Portugal parece-me ainda mais gritante.
Todos estamos habituados a ver reportagens com imagens de protagonistas religiosos Árabes “aleatoriamente” seleccionadas pelas estações de televisão a influenciar o povo Árabe. Em Portugal não há Natal, Passagem de Ano ou qualquer data importante para Portugal em que em horário nobre os lideres religiosos católicos Portugueses não transmitam a sua mensagem (e do Vaticano) ao povo Português ou sejam convidados de honra da Assembleia da República Portuguesa ou de algum outro orgão político..
Portugal vai ter um referendo porque a maior parte dos políticos Portugueses se acobardou e não quis enfrentar o Vaticano e a ICAR apesar de saberem que com esta lei milhares e milhares de mulheres irião passar a ser tratadas condignamente.
Portugal é um país onde as notícias sobre padres pedófilos duram 10 segundos seguidas logo do Benfica que ganhou 5-0 ao Oliveira do Bairro. Mas onde as notícias da pedofilia na Casa Pia são diárias há uns 4 anos.
E vivemos em tempos onde sujeitos bizarros e suturnos fundamentalistas religosos cristãos de extrema direita como George Bush ou Ratzinger 16, o monarca absoluto, vitalício e último ditador europeu, líder do mais luxuoso bairro travesti encalhado no coração de Roma, Vaticano, que gosta de se exibir nas suas requintadas saias brancas e excêntricos chapéus e anéis e até gosta que o tratem por outro nome (sem qualquer ofensa para os travestis) e gosta de estar rodeado só por outros homens, controlam grande parte do Mundo e ninguém parece importar-se verdadeiramente com isso.
Quarta-feira, 3 de Janeiro de 2007
Ontem fui jantar com a Yulia e disse-lhe que vou a Beijing a 11 de Fevereiro para ir votar na Embaixada Portuguesa num referendo sobre o aborto. Disse-lhe que neste momento uma mulher pode ser julgada em tribunal e presa se cometer um aborto em Portugal. E que neste momento as mulheres ricas viajam até outros países onde é legal a prática de aborto e fazem-no lá enquanto que as mulheres pobres fazem-no sem quisquer condições de higiene e saúde no quintal da casa delas (as que têm casa).
Ela ficou a olhar para mim. E a primeira coisa que me perguntou foi "Porque é que os políticos não decidiram sobre isso? A política serve para melhorar a vida das pessoas, não?". E eu disse-lhe que a ICAR e o Vaticano são contra a prática do aborto em quaisquer circunstâncias e têm muita força social e política em Portugal e grande parte dos políticos portugueses nunca fazem nada que contrarie a ICAR, mesmo numa situação de saúde pública e de justiça social como esta.
Ela disse-me que nunca pensou que em Portugal não houvessem esses cuidados de saúde e se o problema é a banalização moral do aborto, é um pouco hipócrita não permitir e até criminalizar uma mulher que o faça sem quaisquer condições de higiene. Porque nenhuma mulher pratica um aborto sem pensar muito sobre isso e cada uma tem a sua razão. Espero que a lei seja aprovada, disse ela.
Por outro lado, falei na semana passada com a Molly sobre isto e ela disse-me que nos Estados Unidos da América, o Bush aprovou uma lei que na prática passou a ilegalizar o aborto nos Estados conservadores dos EUA. Exactamente o oposto do que se pretende em Portugal.
Posto isto, pergunto-me será que, apesar de todas as lutas, Portugal ainda está perto do fanatismo religioso que elege gente como o Bush? Que suicida pessoas em busca de 70 virgens? Que prega gente viva nas Filipinas?