Antes de mais, simpaticamente enviaram-me um mail num dia destes, duma universidade da China, a agradecer-me pelo que tenho escrito e a referir que o meu blog é ali objecto de estudo em aulas de português. Fiquei naturalmente muito contente mas não vou mudar nada do que escrevi. Quer seja sobre o glorigozo, quer volte a dizer que os Estados Unidos são comandados por forças fascistas.
Mas continuando, vai haver um eclipse total do sol na China na próxima quarta-feira. Por coincidência, nesse dia estarei a voar entre Shanghai e Xianggang (Hongkong). Pode ser que tire fotos, afinal de contas dizem que o próximo eclipse total do sol só vai acontecer daqui a 300 anos. E sei que pode ser um choque para muitos, mas sei de fonte segura que não vou ver esse.
De resto, é um facto que fico muito contente quando vejo a minha estrela vermelha tatuada no braço direito (ainda mais agora no verão), não só pelo que representa para mim mas também pela cara com que todos ficam quando a vêem. Caras simpáticas de aprovação e orgulho ou outras sem saberem o que fazer ou dizer.
Depois de espalhar pelo meu último site a frase: "Hospitals of the world, unite!" lembrei-me de uma antiga namorada que de vez em quando me dizia, meio na brincadeira meio a sério, "Rui, menos...".
Mas um dia destes num jantar, uma amiga chinesa perguntou-me a propósito da minha estrela: "Mas e se alguma vez fores aos Estados Unidos?", ao que lhe respondi, sorrindo: "Linda, só tinha uma razão para ir a esse país. Mas o Bin Laden roubou-me a ideia...".
Algumas pessoas perguntam-me ainda hoje, 3 anos depois, sobre o porquê de ter fugido vindo para a República Popular da China. As respostas nem sempre são fáceis... mas esta é.
O facto da TVI ser na altura (e continuar a ser) a teelvisão mais vista em Portugal pode ajudar a desvendar esse mistério. O facto de metade dos feriados em Portugal serem da religião que fundou Portugal, que não é a minha por opção própria e que não gosto nada (tal como de qualquer outra), também. E podia continuar, mas não é esse o principal propósito deste artigo...
Cada vez estou mais contente por ter decidido vir para a China. Estou feliz por me ter poupado a ser constantemente bombardeado pelo império por quase-notícias duma parcialidade gritante, descarada e absurda. A última dos meios de masturbação mental imperiais aconteceu nos últimos dias por causa das eleições no Irão. É impressionante a forma como o império tenta e consegue moldar o interior das cabeças dos seus súbditos...
Não tive o "prazer" de ver as pseudo-notícias nos pseudo-telejornais portugueses mas não deviam andar muito longe das ridículas manchetes do JN, DN, Público, Expresso e outros, no resto do ocidente as mesmas nojentas manipulações no New York Times, El Pais, Le Monde ou The Times mostraram bem como o absurdo circulou mais uma vez por esse lado. Porque podem ser azuis, brancos ou pretos mas as mentiras do império são as mesmas.
Mas depois lá tiveram de admitir que o "ultra-conservador" afinal foi eleito... com mais de dois terços dos votos (?!) dos iranianos, numa afluência às urnas de mais de 80%. E esperado também, tentam agora dizer que foi tudo falsificado.
Os métodos do império andam a ficar muito previsíveis...
Ao contrário da história do Saramago, só é cego quem quer.
4 de Junho. Bem, é um facto que não escrevo este artigo neste dia por acaso.
Muita gente me pergunta ainda hoje sobre este acontecimento, que pelos vistos é tão popular mas não é minimamente conhecido. E no que depender dos meios de masturbação mental continuará assim por muito tempo.
Há 20 anos atrás as forças de segurança da República Popular da China, a bem da segurança interna deste país, dispersaram os ocupantes da sua praça principal onde se tinham mantido durante quase dois meses. Mas terá sido a criação desse movimento tão espontânea? Terá sido aquele momento tão aleatório?
Como a bem da desinformação, do engano, da confusão os incidentes ocorridos na Praça Tian'anmen em 1989 nunca foram nem são muito bem esclarecidos (porque é assim que o império combate a China) urge iluminar o que de facto se passou.
Antes de mais, que país no Mundo permitia que a sua principal praça estivesse ocupada quase dois meses sem que as suas forças de segurança agissem? Pois, bem me parecia...
Mas a acrescentar a isto e ainda mais importante, uma palavra russa.
Glasnost. Por sinal a machadada final na União Soviética. A política que o império esperava que a China também seguisse. Mas felizmente não foi bem assim...
O início do suposto "natural e espontâneo" movimento que ocupou a praça Tian'anmen antecedeu em poucas semanas a vinda à China de um senhor russo chamado Mikhail Gorbachev (hail to the thief Gorbachev). Que grande coincidência... Curioso, não é? E não vinha fazer nenhum anúncio para a Pizza Hut...
Será que em 1989 com o colapso anunciado da União Soviética que se concretizou em 1991, e de alguns outros países que em tempos também foram comunistas, o império achava que iria conseguir acabar com o Marxismo-Leninismo na China também? Será que o que se passou na praça Tian'anmen em 1989 não foi previamente pensado e organizado como muitas outras pseudo-revoltas dessa altura? A história e os factos não se apagam nem se re-escrevem nem se contornam senhores quase-jornalistas.
Felizmente não correu como esperavam. E felizmente a China continua a ser República Popular. Da qual muito me orgulho de pertencer. Com defeitos e virtudes e até algumas contradições no processo revolucionário ao longo destes 60 anos, como não podia deixar de ser sendo esta uma sociedade de seres humanos para seres humanos, mas que apesar de tudo, tenta e CONSEGUE roçar a JUSTIÇA para o seu povo. Ao contrário de todos os outros sistemas políticos.
Mas... será isso que incomoda tanto o império? A justiça?
Não sou bruxo mas sei que são estas as perguntas a que os meios de masturbação mental continuarão a não procurar respostas. Não interessa a verdade, dizem eles. É mais importante salvar a falácia e manter a confusão. Sem as mentiras sobre a praça Tian'anmen em 1989, sem as mentiras sobre a ilha chinesa de Taiwan, sem as mentiras sobre a província chinesa do Tibete como é que mantinham as desinformações e as confusões sobre a República Popular da China?...
Ahhhhhhhh... perdi a aposta. Depois dos nitrofuranos, depois das vacas loucas, depois da gripe das aves, apostei tudo numa gripe dos insectos. Que ainda ia ser mais devastadora! Mas perdi.
Afinal foi a gripe dos porcos... americanos.
Depois da crise dos porcos capitalistas, a crise dos porcos propriamente ditos.
Mas pronto, ao menos o Barça espetou 6 aos merenguitos... podia escrever alguma coisa sobre isto, afinal o Barça teve dois momentos altos em dois momentos interessantes. Ganhou a Liga dos Campeões pouco antes de eu sair de Portugal e no sábado passado ganhou 2-6 em pleno Santiago Bernabéu.
Mas queria escrever sobre a última Conferência sobre o Racismo promovida pelas Nações Unidas.
Mesmo antes de Ahmadinejad discursar na Conferência sobre o Racismo, já se multiplicavam as lavagens cerebrais no centro e acessórios do império com as mais idiotas "notícias" de modo a desviar as atenções do que importava. E porque será que nem os sionistas nem o afro-americano que disse que viu "raios de esperança na economia capitalista" apareceram por lá e, segundo dizem, alguns representantes europeus ficaram muito incomodados com o que se passou?
Se calhar o melhor é ler o que de facto Mahmoud Ahmadinejad disse e possivelmente perceber o que realmente incomodou o império.
"... Era o motivo da invasão do Iraque outra coisa que não a arrogância da então administração dos EUA e as pressões crescentes por parte dos possuidores da riqueza e poder para expandir, dentro da sua esfera de influência, a satisfação dos interesses de gigantescos fabricantes de armas, atacando para isso uma cultura nobre com milhares de anos de história, e eliminando as ameaças, potenciais e reais, de países muçulmanos contra o regime sionista ou para controlar e pilhar os recursos energéticos do povo iraquiano?
Porque é que quase um milhão de pessoas foi morta e ferida e mais alguns milhões foram deslocados? Porque é que o povo iraquiano sofreu enormes perdas que atingem as centenas de milhares de milhões de dólares? E porque é que milhares de milhões de dólares foram cobrados em impostos ao povo americano como consequência destas acções militares? Não foi a acção militar contra o Iraque planeada pelos sionistas e seus aliados da então administração dos EUA, em cumplicidade com os países fabricantes de armas e os possuidores de riqueza? Será que a invasão do Afeganistão restaurou a paz, a segurança e o bem-estar económico no país?
Os Estados Unidos e os seus aliados não só fracassaram na contenção da produção de drogas no Afeganistão, como se multiplicou o cultivo de narcóticos durante a sua presença. A questão básica é qual foi a responsabilidade e a função da então administração dos EUA e dos seus aliados?
Representavam eles os países do mundo? Foram mandatados por eles? Foram autorizados pelos povos do mundo a interferir em todas as partes do globo, sobretudo na nossa região? Não serão estas medidas um claro exemplo de egocentrismo, racismo, discriminação ou violação da dignidade e da independência de nações? ..."
Mahmoud Ahmadinejad
Curioso, não é? Eram estes os insultos a Israel e aos EUA a que os sionistas e os meios de masturbação mental se referiam? Mas... não é a verdade?! Ou a verdade doí aos que ganham a vida a espalhar mentiras?
O discurso completo de Mahmoud Ahmadinejad pode ser lido aqui.
Não pretendia politizar demasiado o regresso deste blog. Mas o momento assim o exige.
Este é sem dúvida um momento histórico. Cujo resultado revolucionário pode ser muito bom ou muito mau para este (povo chinês) e para todos os povos do Mundo.
É necessário analisar sem preconceitos a China desde 1949, quando a 1 de Outubro Mao Zedong proclamou a República Popular da China, declarando que o "povo chinês pôs-se de pé".
Passando por Mao Zedong e Zhou Enlai, Liu Shaoqi, Deng Xiaoping, Jiang Zemin e Hu Jintao, sabendo a história (a verdadeira, não a areia para os olhos) e a cronologia dos factos, conhecendo as actividades contra-revolucionárias que se fizeram (e se fazem) contra este país e apesar de tudo isto, tudo o que a China conseguiu fazer em 60 anos e continuará a conseguir fazer pelo e com o seu povo (e indirectamente, pelos povos do Mundo). Outrora, antes de ser Popular, semi-feudal e semi-colonialista. E completamente humilhada pelas maiores potências bélicas do século 19 comandadas pelo Reino Unido nas Guerras do Ópio.
Com uma análise honesta e real à República Popular da China e ao Mundo que a rodeava (e rodeia) tornam-se claras as razões pelas quais este país ter sido (e ser) olhado de lado por quase todos os povos do Mundo.
Cortou relações com a União Soviética, a principal potência vitoriosa da IIª Guerra Mundial, desde que Nikita Khrushchev se tornou no novo presidente soviético (1953-1964) e este renegou de todas as formas possíveis o seu antecessor Josef Stalin, amigo e apoiante desde o início da Revolução Chinesa de Mao Zedong. Renegou qualquer relação com outra das potências vitoriosas da IIª Guerra Mundial, os Estados Unidos da América e um dos grandes motores contra-revolucionários na China desde o início até hoje, que em 1949 até colocou a sua frota marítima no estreito que separa o resto do território chinês da ilha Formosa de modo a permitir e proteger a fuga de Chiang Kai-shek e do que restava do seu Kuomingtan, e consequente apropriação daquele território chinês, quando o Partido Comunista da China mobilizou o seu povo e libertou a China das agressões imperialistas externas; desde a Revolução Chinesa de 1949, as opções e as claras diferenças políticas bem como as persistentes tentativas de intromissão do império nos assuntos internos da China fizeram o passado e o presente das relações entre os países. Renegou também desde o início e "a sério" (não com concordatas) a intromissão religiosa no Estado e na sociedade chinesa. Qualquer intromissão de qualquer religião.
Na minha opinião, são estas as razões pelas quais a República Popular da China é, ainda hoje, tão mal vista por uns e ideologicamente receada por outros.
Muitos (ou quase todos) que não fazem a mais pequena ideia do que foi e é a República Popular da China mas não se coíbem de despejar as (des)informações que lhes foram passadas pela potência dominante através dos meios de masturbação mental.
Neste momento, local e mundial, a República Popular da China enfrenta um momento histórico. O capitalismo e o seu estado avançado, o imperialismo, mostra a quem ainda tinha dúvidas e precisava de provas reais que não é o sistema que a população mundial precisa.
Mas o Mundo tem que estar preparado porque é sabido que a besta ferida torna-se sempre mais perigosa.
E agora? É a pergunta que a República Popular da China terá de responder.
Mao Zedong disse uma vez do topo do monte Tai que o oriente era vermelho... é o momento de não ser só o oriente.
A anterior versão deste blog referia-se a passagens do meu dia a dia em Shanghai. Marcou o seu tempo, teve a sua razão de existir e com o seu final muitos outros blogs espalhados por este mundo fora não aguentaram tamanho desgosto e desapareceram também ou foram descontinuados.
Apesar de tudo, como alguns saberão, continuei e continuarei a publicar as minhas fotos da China em ruinix.ipernity.com.
Mas as coisas no mundo mudaram (ou não...) e por isso urge este regresso.
Mas o que perdi entretanto? Agora há (mais) uma suposta e diabólica e terrível "crise financeira internacional" que se seguiu a muitas outras com objectivos exactamente iguais... salvar o sistema e manter a exploração dos trabalhadores e dos povos; as surreais mentiras sobre a região chinesa do Tibete continuaram a ser difundidas mas curiosamente hoje, 28 de Março de 2009, comemoram-se os 50 anos da Libertação do povo tibetano da bárbara teocracia feudal deste dalai-lama; já não é o ranger do Texas o "presidente" americano, agora é um Afro-americano com uma boa colocação de voz (tão boa que as mentiras até parecem mais convincentes) que supostamente muita gente gosta e mente muito melhor que o outro mas continua a fazer o mesmo que o anterior; mais uma vez as forças de defesa sionistas atacaram a Palestina num momento completamente "ao acaso" e que "por acaso" acabou exactamente quando o império ganhou um "novo presidente"; os meios de masturbação mental continuam em grande e a copiar as supostas "notícias" uns dos outros e a espalhar as mentiras mas tens de ler e ouvir e ver as coisas dos fazedores de notícias senão és um "info-excluído" ou então colam-te o título de maluco na testa. Não deves estranhar as "notícias" diárias do Barraca Abana. És supostamente saudável e és mentalmente equilibrado se achares normal as "notícias" mentirosas sobre a Coreia do Norte mas não achares estranho (ou nem sequer saberes) que Israel não tem fronteiras definidas porque nem sequer tem uma Constituição podendo-se alastrar no Médio Oriente como e quando quiser.
Mas quem pensar que tudo isto é igual ao que se tem passado nas últimas décadas... tem razão.
Por estas e outras palhaçadas de "realidade" este weblog voltou ao activo mas agora de uma maneira diferente porque sem querer menosprezar os meus atentos e assíduos leitores, tenho mais que fazer. E como tal, a frequência de novos artigos não será diária, na melhor das hipóteses será semanal, mas utilizando termos mais técnicos e específicos adaptados a esta intrínseca problemática, terá a frequência de quando me der na gana.
Sei que alguns receberam este recomeço via rss, outros estarão a pensar "Foda-se, rss? Que é essa merda?". Seja como for, espero que os interessados sejam avisados de qualquer forma. Vêmo-nos por aí.
Não sou daqueles que olha o desenvolvimento da China com desconfiança. Desenvolvimento social, económico ou revolucionário. Há processos revolucionários com os quais posso não concordar, mas a verdade é que foram também esses processos que fizeram da China o que ela é hoje. E essa eu conheço ao vivo e a cores. E como já disseram, a história da China é complexa demais para fáceis e tendenciosas simplificações.
A Republica Popular da China, ao contrário por exemplo da Republica Popular Democrática da Coreia, decidiu jogar com regras capitalistas e dos Estados Unidos da América e do Banco Mundial e da Organização Mundial do Comércio. Para muitos foi um erro histórico, para outros foi um passo perigoso mas necessário, para outros ainda é a prova que nenhuma destas organizações imperiais nem o próprio império imaginavam o que a China pode fazer.
E os resultados estão à vista (mas não muito divulgados porque os media do império não gostam muito disso) e a China está a substituir em muitos países, não os Estados Unidos nem a Europa, mas o próprio Banco Mundial. Investindo e promovendo trocas comerciais justas com países de África e da Ásia e da América Latina como estes nunca tinham visto.
Além disto, a China tem um deficit externo zero. E só quem faz alguma ideia do que é a China actualmente (social e profissionalmente) é que faz alguma ideia do que isto significa.
Não sei o que a China vai ser no futuro, mas sei o que é no presente. E o que foi no passado.
Sei o que a China conseguiu fazer em meio século.
Recebi quase todos os dias, no último mês, mails de pessoas com mais ou menos informação sobre a China avisando que os Jogos Olímpicos serão utilizados por elementos externos à China para actos de sabotagem.
E vídeos de autenticidade duvidosa, que foram divulgados por uma empresa privada chamada IntelCenter sediada em Washington com contratos com a CIA e o Pentágono, e que nunca foi revelado como e quando foram obtidos, ou de uma estação de rádio chamada Free Asia, também sediada em Washington e com profundas ligações ao Congresso daquele país, responsável pela comunicação entre o império, e o resto do mundo, e os seus para-militares "budistas" são exemplos do que se está a preparar e de quem o está a preparar.
O que aconteceu em Março no Tibete ou o que aconteceu em Julho em Kunming não foi por acaso. E não me surpreende que hajam tentativas de sabotagem durante os Jogos.
Mas eu confio no Exército de Libertação Popular.
Em Fevereiro de 1933, os paramilitares de Adolf Hitler criaram um incidente e pegaram fogo ao Parlamento Alemão culpando os comunistas pelo sucedido.
Pouco tempo depois, fez passar uma lei "anti-terrorista" que tirava algumas (!?) liberdades ao seu povo e começou uma série de guerras preventivas que supostamente ajudavam a manter a "liberdade" desse povo.
Em Setembro de 2001, os paramilitares de George W. Bush criaram um incidente e enviaram aviões contra o World Trade Center culpando os árabes pelo sucedido.
Pouco tempo depois, fez passar uma lei "anti-terrorista" que tirava algumas (!?) liberdades ao seu povo e começou uma série de guerras preventivas que supostamente ajudavam a manter a "liberdade" desse povo.
Pois, como diria Petar Popara: "Cabrões fascistas de merda."
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Mas o Bush desempenhou apenas o papel que lhe estava designado. Com piadas, demonstrações de burrices, declarações polémicas, mentiras mais ou menos descaradas o suficiente para te desviar a atenção do que realmente importa.
O próximo actor terá os mesmos objectivos apenas com papeis, figuração e elenco diferentes.
Já vários países desapareceram do mapa, por muito menos...
Quando me chegam vídeos americanos cheiram-me logo a propaganda e nem os costumo ver por mais pomposa que seja (estilo Al Gore) a apresentação. Alguns dizem que é paranóia minha, outros dizem que é por ser um "comuna do pior", outros dizem ainda que é por causa da China.
Mas este foi-me enviado por um amigo e achei-o interessante:
Antes de sair da China, fui contactado por um jornalista português da SIC que me colocou algumas questões acerca da China. Esta foi a minha resposta.
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Bem, relativamente aos temas que escreveu no primeiro mail (portugueses residentes na China, "nova" China, últimos preparativos para os Jogos Olímpicos e a abertura ao Ocidente) há de facto muita coisa a dizer pela abrangência dos mesmos.
Relativamente a Portugueses residentes por aqui penso que as dificuldades não são diferentes do que as de outros Portugueses residentes noutros lugares do Mundo. Dependendo das áreas profissionais de cada um, do conhecimento prévio sobre a China e "abertura mental" para uma realidade cultural completamente diferente a todos níveis, do domínio (nem que seja mínimo) da língua chinesa penso que isto é o essencial para se encarar uma passagem muito interessante e enriquecedora pela China.
"Nova China"... não estou certo a que se refere quanto a isto ou o que pretende abordar neste tema, mas a história da China é complexa demais e as simplificações na abordagem a China deram e dão origem a muitas ideias erradas sobre este país e este povo.
A China tem mais de 5000 anos de história, como saberá, e até há 200 anos liderou o resto do Mundo no desenvolvimento do conhecimento da Humanidade. Escrevi alguma coisa sobre isto há algum tempo, poderá ver aqui, aqui e aqui.
Há cerca de 200 anos, o Reino Unido, suportado pela Revolução Industrial, e necessitado das infindáveis matérias primas da China como a seda, o chá e muitas outras atacou e obrigou a China a defender-se e a fechar-se completamente ao resto do Mundo durante, e após, as chamadas Guerras do Ópio. A questão tibetana vem também daqui, quando o Reino Unido e a sua antiga colónia India anexaram aquela região chinesa que pertence a China desde o século XIII.
Alguma informação sobre o Tibete pode ser encontrada aqui.
A Revolução Chinesa de 1949 veio de facto alterar muita coisa e o rumo de declínio que a China tinha tomado sendo actualmente um país essencial na economia mundial, mas mais que isso esta a criar condições para 1300 milhões de pessoas vivam dignamente, respeitando a sua cultura passada e crescendo sustentadamente. Muitos dos problemas causados por agressões externas nomeadamente do Reino Unido e Japão, humilhações como os Tratados Desiguais e constante desinformação pelas potências que consideram a China um inimigo estão a ser rápida e inteligentemente resolvidos pelos Governos Chineses, desde o Mao Zedong até ao Hu Jintao, e em quase 50 anos a China tornou-se numa potência muito importante no Mundo. A China tem uma cultura e história apaixonantes, o resto do Mundo tinha muito a ganhar se se esforçá-se por conhecê-la.
Quanto aos Jogos em Beijing, será certamente um evento inesquecível e que deixará marcas que irão muito para além dos 15 dias do evento, tal como a Expo 2010 aqui em Shanghai e muitos outros bons momentos para se deixarem todos de intrigas e complexos com a China e conhecerem um pouco deste grande país.
Quanto à abertura ao Ocidente, parece-me que o mais importante é referir que a China se abriu muito antes ao Ocidente, que o Ocidente à China.
O heróico trabalho que o Exército de Libertação Popular da China está a realizar dificilmente será reportado pelos meios de masturbação mental do ocidente.
Quanto mais não seja porque a China está a mostrar que mais que muito dinheiro tem uma espantosa organização, que faz lembrar o que faltou aos Estados Unidos depois dos acontecimentos do furacão Katrina.
Como o Primeiro-Ministro, Wen Jiabao, disse "o sismo pode fazer mexer montanhas e tapar rios mas nunca conseguirá diminuir a nossa determinação de nos unirmos e de nos ajudarmos uns aos outros".
Restam pequenas histórias como a de Song Xinyi, uma menina de 3 anos, que foi encontrada 40 horas depois do sismo ter destruído completamente o edifício onde estava. Ou a do Yang Hong, estudante de 16 anos, que ficou soterrado nos escombros da escola preparatória mais de 60 horas. Ambos em Beichuan, na província de Sichuan.
Até ao momento esta tragédia levou 20000 vidas. Os esforços do Exército de Libertação Popular salvaram outras tantas.
É natural a reacção ocidental. Afinal de contas, os complexos colonialistas de um passado recente estão bem presentes. As "notícias" dos media ocidentais reflectem bem isso.
Tudo isto aliado aos idiotas que se esforçam por não usar a cabeça e que engolem tudo o que lhes põem à frente temos o campo perfeito para os recentes acontecimentos na região chinesa do Tibete.
O ocidente (Estados Unidos e Europa principalmente) estão, há muito tempo, preocupados com a China. Era suposto já ter aparecido por aqui um Gorbatchev (que se também fizesse anúncios para a Pizza Hut tanto melhor).
Mas agora o ocidente vangloria-se de ter conseguido que a China dialogasse (não com o governo Tibetano no exílio porque não existe tal coisa) com representantes privados do dalai-lama. Estranhamente não referem que isto tem sido uma prática normal da China... esta é a sétima reunião entre eles desde 2000.
Mas até estou curioso para saber os resultados desta reunião. De que falaram os amigos do dalai-lama? Da forma como sempre mantiveram os tibetanos no obscurantismo, medo e repressão das formas mais violentas que se possam imaginar? Que após a Revolução Chinesa, Mao Zedong reconheceu aquela região como especial e aconselhou o então governador a começar a respeitar e a tratar os tibetanos de forma diferente? Que só 10 anos depois, não vendo qualquer alteração re-anexou a região que pertencia à China desde o século VII? Ou será que falaram do crescimento da economia do Tibete de 12% por ano nos últimos 7 anos? Ou então que o Governo Central Chinês forneceu mais de mil milhões de yuans desde 1980 para preservação de 1400 mosteiros e relíquias culturais daquele lugar? Certamente falaram que a população tibetana duplicou, passando de 1.2 milhões em 1964 para 2.41 milhões em 2000, com condições de vida dignas para qualquer ser humano. Coisa que era negada quando o Tibete foi ocupado pelo Reino Unido, retirado à China e governado por este dalai-lama.
Deus não é melhor nem pior do que eles. Apenas tem a vantagem de não existir.
Já os dois cruzados que se aliaram, para mal da humanidade, existem.
Fontes:
"Se há realidade complexa cuja compreensão é incompatível com clichés, ela é a República Popular da China. Pelo passado histórico de uma civilização milenar que durante séculos surpreendeu e deslumbrou quantos a contactaram. Pela sua população gigantesca e grande extensão territorial. Pelo mosaico de nacionalidades e culturas que a compõe. Pelo extraordinário valor de uma revolução (1949) - que depois da Revolução de Outubro, foi o maior acontecimento libertador do século XX - e pelos sulcos do seu acidentado percurso. Pelo inédito empreendimento em curso que se propõe transformar uma sociedade atrasada num país desenvolvido e próspero. Pelo peso crescente e incontornável da China na economia e na vida política internacional. É neste enquadramento complexo que os recentes acontecimentos no Tibete têm necessariamente de ser inseridos sob pena de ridículas simplificações, interesseiras falsificações ou descaradas manifestações de hipocrisia."
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