Estive de férias nesta última semana em Dalian, na província de Liaoning. Estive a dois passos (ou mais precisamente do lado chinês do rio) da Coreia do Norte em Dandong. Jantei em Dalian com uma portuguesa de quem gosto muito. Mas é melhor começar pelo início.
Há já muito tempo (mais de um ano...) que não fazia uma viagem de comboio e, como tinha tempo, decidi ir de Shanghai até ao norte da China neste meio de transporte no início da semana anterior e voltei no sábado passado.
Fui no lugar 13, carruagem 13, compartimento 4 e fui no dia 14. Se fosse supersticioso tinham-me acontecido as coisas mais bizarras que se possam imaginar. Mas como sou um comuna do pior e um agente secreto chinês, nem o diabo se mete comigo.
E Dalian correspondeu às minhas expectativas. É de facto uma espantosa cidade da China. Das mais bonitas cidades chinesas que já conheci.
Banhada pelo mar Amarelo (não, a água não é amarela...), é uma excelente cidade balnear na Manchúria perto da Coreia do Norte.
Fui passar um dos dias a Bingyugou, uma zona montanhosa perto de Dalian.
No dia seguinte fui a Dandong e, separado pelo rio Yalu, vi um bocadinho da Coreia do Norte.
Numa breve história da Guerra da Coreia (1950-1953), a Coreia do Norte foi ocupada pelos Estados Unidos e pelos lacaios sul-coreanos mas a China e a União Soviética viraram-se uma para a outra e disseram: "mas o que é esta m$#!*??", e ajudaram os norte-coreanos a mandar os Estados Unidos e os do sul co'as put/$ e libertaram a Coreia do Norte. Mantendo-se independente ainda hoje. Não com muitos amigos, é verdade. A China será o único país com quem a Coreia do Norte tem relações comerciais, mas com amigos assim a República Popular e Democrática da Coreia tem as costas bem protegidas.
E nessa noite fui jantar com uma rapariga espectacular que conheci aqui em Shanghai em 2007 mas que foi trabalhar para o norte da China. Ainda há excelentes portugueses.
Ela e outras pessoas apaixonantes, que me contactaram e me pediram informações ou sugestões sobre a China, são a razão principal para ter mantido este blog aqui na China.
E na sexta-feira fui para a estação de comboios de Dalian e 26 horas depois, e 7 ou 8 províncias e municipalidades depois, voltei à minha Shanghai.
Podem ver algumas fotos aqui.
No dia 9, terça-feira, foram as comemorações do 60º aniversário da República Popular Democrática da Coreia. As comemorações começaram há vários meses e culminaram, no passado dia 9, na praça Kim Il-sung (a praça central de Pyongyang e a 16ª maior do mundo), na margem do rio Taedong enquanto que várias actividades culturais, incluindo performances de arte, leitura e vídeo tiveram lugar por todo o país.
Na praça Kim Il-sung as comemorações envolveram demonstrações culturais e artísticas, paradas militares e grandiosos espectáculos de fogo de artifício.
Acabaram ontem os Jogos Olímpicos da República Popular da China. E terminaram como começaram. Com uma cerimónia assombrosa.
Nada que surpreenda quem conhece a China mas algo que, sem dúvida, maravilha.
A não ser o Abel Coelho de Morais e o seu Diário de Noticias que certamente dirão que foi tudo falsificado. Aliás acho que a própria cidade de Beijing não existe e a Grande Muralha é uma clara simulação virtual.
De resto, deixo aqui a classificação (que importa) do Beijing 2008:
CHN - China 51 / 21 / 28
CUB - Cuba 2 / 11 / 11
PRK - DPR Korea 2 / 1 / 3
VIE - Vietnam 0 / 1 / 0
VEN - Venezuela 0 / 0 / 1
Sem querer influenciar a votação em curso, e dado que voltar a viver agora na Europa não me atrai, num futuro imediato deverei ter uma destas vistas.
A 3 de Julho de 1950 a Coreia do Norte atacou de surpresa e conquistou a capital sul-coreana Seul. Os EUA sabiam que esta acção norte-coreana teve a colaboração soviética e sentiram-na como se tivesse sido no seu próprio território e enviaram o general Douglas MacArthur, para ajudar a Coreia do Sul.
Algum tempo depois, os 70 mil soldados norte-coreanos são vencidos pelos 140 mil soldados americanos e aliados. Cinco dias depois, exactamente três meses após o início das hostilidades, Seul volta ao controlo sul-coreano. Mas não se ficaram por aqui, e rumaram a Pyongyang. Em Novembro as forças da Coreia do Sul e aliados estavam já próximas da fronteira com a República Popular da China, que para se proteger de qualquer tentativa militar contra-revolucionária enviou 300 mil homens para ajudar a Coreia do Norte.
Foram 3 anos de violentos confrontos.
Com a ajuda da China as forças sul-coreanas, americanas e britânicas voltam para baixo do paralelo 38. Uma nota para a Marilyn Monroe que visitou nesta altura as tropas americanas (tal como faz hoje em dia a Britney Spears) mostrando uma vez mais que este tipo de "artistas" não são mais que um mero instrumento imperial, dentro e fora do seu território.
A 23 de Junho começam as negociações de paz, que duram dois anos e resultam num acordo assinado em Panmunjon, em 27 de Julho de 1953. O resultado é o cessar-fogo. Na guerra coreana morreram cerca de três milhões e meio de pessoas. O tratado de paz ainda não foi assinado, e a Coreia continua dividida em Norte e Sul. Tecnicamente as duas Coreias continuam em guerra.
A República Popular Democrática da Coreia tem o meu respeito enquanto país que se recusa a aceitar e a tolerar as regras imperialistas de subjugação de povos.
Porque é que os USA nunca atacariam militarmente a DPRK?
A República Popular Democrática da Coreia faz fronteira territorial com 3 países. China e Rússia a norte, Coreia do Sul a sul. E portanto os Estados Unidos têm aqui (mais) um problema. Os 2 vizinhos do norte nunca permitirião uma intervenção militar naquele território.
Mas o problema dos EUA é maior. A República Popular Democrática da Coreia é um país comunista que se recusa a jogar com as regras capitalistas como fazem a China ou o Vietname e como tal não precisa da potência económica americana para nada. Aliás americanos, israelitas e sul-coreanos estão proibidos de entrar em território norte-coreano durante 9 meses do ano, apenas na altura das magníficas comemorações dos Jogos das Massas. A República Popular Democrática da Coreia tem avançada capacidade bélica de defesa e ataque, para além de que em caso de agressão militar cada coreano é um soldado. E por último como o fantasma comunista continua muito vivo, os EUA nunca voltariam a entrar numa luta ideológica que inevitavelmente diviria o Mundo e que deu tanto trabalho a uniformizar com a campanha de desinformação vulgo globalização em curso desde o fim da guerra fria.
É muito mais fácil ameaçar, invadir e agredir países sem qualquer ligação política ocidental como o Afeganistão, o Iraque ou o Irão que até nem comem carne de porco, maltratam as mulheres, dão tiros para o ar ou falam muito alto e é mais fácil para os idiotas que apoiam o regime americano perceberem (o QI destes anormais não é o ponto forte deles) mas se a República Popular Democrática da Coreia faz testes com mísseis que atingem o território americano ou testes nucleares só recebem um aviso tímido. A cobardia é fodida.
Gostava de viver em Pyongyang. É um dos poucos locais que me atrai depois de Shanghai.
Escrevi um texto sobre isto que afinal não vou publicar.
Tem muitas palavras começadas por F e por P.
Dois pesos e duas medidas?
república popular da china
extremo oriente
médio oriente
portugal
norte da américa
911research.wtc7.net/index.html
centro e sul da américa