Mas... o que ia escrever? Ah, voltei a Xianggang (aka Hongkong). Fui na semana passada e voltei ontem.
Foi a quarta ou quinta vez que fui a este lugar chinês mas decidi agora fazer uma coisa que nunca me apeteceu durante estes últimos 3 anos.
A minha namorada chamou-lhe compromisso. E é assim que lhe vou chamar também.
Mas comecemos pelo princípio. Quando estava a sair de Shanghai, aconteceu o eclipse do sol. Estava na entrada do Maglev, na manhã de quarta, quando passou a ser noite outra vez durante uns minutos. Estava a chover em Shanghai nesse dia, portanto não tirei fotos interessantes do acontecimento. Interessante só visto ao vivo. ;)
Mas depois o avião da China Eastern levou-me a Hongkong (lembro-me dos tempos em que só viajava de comboio para qualquer lado da China... tss tss lamentável, Rui). E entre resolver alguns dos assuntos que me levaram a Xianggang e dar umas voltas pelo sítio, passei uns dias porreiros (e ainda melhores noites) acompanhado por amigos (antigos ou novos).
Confesso que nunca fiquei extremamente impressionado com aquele lugar chinês desde a primeira vez que lá fui. Sem dúvida porque vivia em Shanghai há já algum tempo e prédios gigantescos de estranhas formas arquitectónicas não eram surpresa para mim. Mas eu nunca gostei de comparar lugares chineses e não vou começar agora.
De qualquer das maneiras, fizeram-me uma interessante proposta profissional em Hongkong, mas tal como já disse por aqui, é esta Shanghai que quero. Aqui e agora.
Tenho publicado fotos desta viagem a Xianggang (Hongkong) aqui.
Antes de mais, simpaticamente enviaram-me um mail num dia destes, duma universidade da China, a agradecer-me pelo que tenho escrito e a referir que o meu blog é ali objecto de estudo em aulas de português. Fiquei naturalmente muito contente mas não vou mudar nada do que escrevi. Quer seja sobre o glorigozo, quer volte a dizer que os Estados Unidos são comandados por forças fascistas.
Mas continuando, vai haver um eclipse total do sol na China na próxima quarta-feira. Por coincidência, nesse dia estarei a voar entre Shanghai e Xianggang (Hongkong). Pode ser que tire fotos, afinal de contas dizem que o próximo eclipse total do sol só vai acontecer daqui a 300 anos. E sei que pode ser um choque para muitos, mas sei de fonte segura que não vou ver esse.
De resto, é um facto que fico muito contente quando vejo a minha estrela vermelha tatuada no braço direito (ainda mais agora no verão), não só pelo que representa para mim mas também pela cara com que todos ficam quando a vêem. Caras simpáticas de aprovação e orgulho ou outras sem saberem o que fazer ou dizer.
Depois de espalhar pelo meu último site a frase: "Hospitals of the world, unite!" lembrei-me de uma antiga namorada que de vez em quando me dizia, meio na brincadeira meio a sério, "Rui, menos...".
Mas um dia destes num jantar, uma amiga chinesa perguntou-me a propósito da minha estrela: "Mas e se alguma vez fores aos Estados Unidos?", ao que lhe respondi, sorrindo: "Linda, só tinha uma razão para ir a esse país. Mas o Bin Laden roubou-me a ideia...".
A quantidade de pessoas que conheci aqui é realmente impressionante. Gente de todo o Mundo. Literalmente. Talvez seja isso que me apaixona neste lugar, talvez seja por estar longe da estup..... AHHHHH!!! Prometi a uma pessoa que não ia fazer isso... outra vez. E eu cumpro sempre o que prometo.
Há algum tempo disseram-me que eu já não "sou" de Portugal. É possível. Há já algum tempo que não sou nem me sinto daí. E não me arrependo minimamente.
Já vi muita gente chegar e muita gente partir. Depois de uma festa de despedida de arromba no sábado, ontem deixou-me mais uma dessas pessoas. E eu sei que vai bem da China porque aprendeu aqui o que qualquer pessoa pode aprender, assim que deixar de lado os preconceitos e os falsos complexos mesquinhos e saloios de superioridade.
Já não me chegam os dedos das mãos e dos pés para contar a quantidade de gente que passou por aqui, que ajudei (e que me ajudaram) de alguma maneira, que fizeram parte da minha vida num determinado período de tempo e que inevitavelmente rumaram a outras paragens. Também eu já tive duas propostas para viver e trabalhar noutros lugares fora da China.
Mas é exactamente esta Shanghai que quero. Aqui e agora.
Era fácil para mim fazer alguma piada porque os merenguitos enfiaram mais um grande barrete quando pagaram uma fortuna louca pelo Cristiano Reinaldo (um jogador banal que tem a mania que é o maior... além de ter sido deixado na m*rda em meia dúzia de palavras da Paris Hilton...), era ainda mais fácil fazer uma piada com o Glorigozo, que além do Filipe das Orelhas, tem agora um treinador chamado Jesus. Títulos em jornais como "Jesus no inferno" ou "Jesus crucificado" aparecerão certamente antes da quinta jornada. Mas pediram-me para não falar de futebol aqui (em especial dos mouros), e eu cumpro sempre o que prometo, a quem prometo. Mais ou menos.
Portanto, vou escrever outra coisa. Estava eu no café onde tomo o meu pequeno-almoço quando ouço uma discussão entre uma francesa e uma chinesa sobre a liberdade de expressão na China. Eu podia-me ter metido e defendido a chinesa mas, apesar de tudo, aquilo podia sempre descambar numa cat fight de T-shirt molhada com beijos e tal. E por muita razão que a chinesa tivesse, não mexo com a ordem natural das coisas. Há coisas (neste caso dois pares de coisas) que tornavam aquilo interessante tal como estava. Está tanto calor em Shanghai...
Mas a chinesa nem precisou de ajudas externas para apontar o que está bem evidente enquanto a francesa só repetia os argumentos idiotas transmitidos em qualquer teelvisão perto de si. O que tornou tudo muito fácil para a chinesa contrariar e ridicularizar, tal como para alguém que conheça alguma coisa sobre a China.
Mas sempre com uma espantosa graciosidade feminina. Apaixonei-me logo por ela.
Vários amigos chineses já me tinham falado da linha número 1 em Shanghai. Que era algo para se apreciar quando se viesse aqui, mas só ontem entrei num destes autocarros. Evidentemente que já tinha ido a todos os sítios por onde este autocarro passou (não vivesse eu em Shanghai há quase 3 anos...) mas é sem dúvida algo que aconselharei a quem vier aqui. Seja pela primeira, segunda ou vigésima quinta vez.
Shanghai não tem a riquíssima história de vários milénios como outras cidades da China, mas é uma passagem pela história passada e recente desta cidade.
Foi sem dúvida muito bom e que me arrancou alguns sorrisos ao passar nalgumas zonas de Shanghai e lembrar-me de pessoas, lugares e momentos inolvidáveis destes 3 anos.
Entramos numa paragem da Hengshan lu, passamos pela Huaihai lu, Renmin Guangshan (ou People's square ou praça do Povo para os leigos), Waitan (Bund), as novas construções da Expo 2010, Nanjing xi lu, ... Gostei muito.
Uma boa volta por Shanghai, ou pela "baixa" de Shanghai. Que em 2010, quando as obras da Expo estiverem concluídas, será ainda mais impressionante.
Estou a publicar algumas fotos aqui.
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