Na semana passada foi finalmente confirmada a presença de Portugal na Expo 2010 aqui em Shanghai.
Não me interpretem mal, desengane-se quem acha que nalguma fugaz e inesperada crise de patriotismo saloio eu ficaria especialmente contente com isso.
O Parque Expo é mais uma vez responsável pela presença portuguesa nestes eventos mas infelizmente ainda não é conhecido o design do pavilhão de Portugal, mas à parte do pavilhão de Macau que na minha opinião é absurdamente ridículo, todos os outros têm uma arquitectura simplesmente impressionante. E enquadrar-se-ão perfeitamente em Shanghai. Alguns podem ser vistos no site oficial.
A Expo 2010 poderá ser visitada de 1 de Maio a 31 de Outubro de 2010 (de repente lembro-me de dois dos mais importantes feriados da China, 1 de Maio e 1 de Outubro, englobados nesse espaço de tempo) e são esperados na Expo 2010 entre 70 a 100 milhões de visitantes.
Evidentemente que o meu apartamento está sempre disponível para os meus amigos e para as minhas amigas! :)
Quer dizer, não para todos ao mesmo tempo... mas perceberam a ideia. :D
É verdade! No sábado passado foi comemorado o 35º aniversário da Revolução dos Cravos.
25 de Abril sempre! Fascismo nunca mais! (Se bem que o fascismo anda por aí bem perto e em qualquer televisão perto de si. Curiosamente transportado por povos que outrora foram vítimas desse fascismo, Judeus e Afro-americanos. Prova que as pessoas não são, fazem-se.
E muitos fizeram-se e fazem muito mal.)
Há já algum tempo (este início faz-me lembrar o título do magnífico álbum dos Mão Morta, "Há já muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável"... puta que pariu, que grande álbum) que pretendia visitar a restaurada Wàibáidù Qiáo (桥, qiáo, é ponte em Mandarim).
Esta ponte começou a ser construída no século 19, em 1856, e tem 106.7 metros de comprimento. Liga as margens do afluente rio Suzhou quando este se junta ao rio Huangpu, o principal rio de Shanghai e um dos maiores deltas (长江三角洲) criados pelo grande rio Yangzi (o mais longo rio da China e terceiro do Mundo) quando este desagua no Mar do Leste (que fora da China, é conhecido como Mar do Leste... da China).
Numa incrível acção de engenharia, simplesmente desmontaram esta ponte centenária (fuck...) e em Março de 2008 levaram-na durante um ano para o porto de Shanghai para ser restaurada.
Trouxeram-na agora de volta ao ponto inicial e, mantendo a estrutura original da ponte, montaram-na ("montaram" no sentido de reconstruir, seus depravadões e suas depravadonas... e o "-na" é a ponte...) como se de uns legos se tratassem.
Apesar de no domingo ter chovido em Shanghai (como se viu na corrida de Fórmula 1), no sábado até esteve um dia com algum sol. Tenho algumas fotos da "nova" ponte aqui.
Não pretendia politizar demasiado o regresso deste blog. Mas o momento assim o exige.
Este é sem dúvida um momento histórico. Cujo resultado revolucionário pode ser muito bom ou muito mau para este (povo chinês) e para todos os povos do Mundo.
É necessário analisar sem preconceitos a China desde 1949, quando a 1 de Outubro Mao Zedong proclamou a República Popular da China, declarando que o "povo chinês pôs-se de pé".
Passando por Mao Zedong e Zhou Enlai, Liu Shaoqi, Deng Xiaoping, Jiang Zemin e Hu Jintao, sabendo a história (a verdadeira, não a areia para os olhos) e a cronologia dos factos, conhecendo as actividades contra-revolucionárias que se fizeram (e se fazem) contra este país e apesar de tudo isto, tudo o que a China conseguiu fazer em 60 anos e continuará a conseguir fazer pelo e com o seu povo (e indirectamente, pelos povos do Mundo). Outrora, antes de ser Popular, semi-feudal e semi-colonialista. E completamente humilhada pelas maiores potências bélicas do século 19 comandadas pelo Reino Unido nas Guerras do Ópio.
Com uma análise honesta e real à República Popular da China e ao Mundo que a rodeava (e rodeia) tornam-se claras as razões pelas quais este país ter sido (e ser) olhado de lado por quase todos os povos do Mundo.
Cortou relações com a União Soviética, a principal potência vitoriosa da IIª Guerra Mundial, desde que Nikita Khrushchev se tornou no novo presidente soviético (1953-1964) e este renegou de todas as formas possíveis o seu antecessor Josef Stalin, amigo e apoiante desde o início da Revolução Chinesa de Mao Zedong. Renegou qualquer relação com outra das potências vitoriosas da IIª Guerra Mundial, os Estados Unidos da América e um dos grandes motores contra-revolucionários na China desde o início até hoje, que em 1949 até colocou a sua frota marítima no estreito que separa o resto do território chinês da ilha Formosa de modo a permitir e proteger a fuga de Chiang Kai-shek e do que restava do seu Kuomingtan, e consequente apropriação daquele território chinês, quando o Partido Comunista da China mobilizou o seu povo e libertou a China das agressões imperialistas externas; desde a Revolução Chinesa de 1949, as opções e as claras diferenças políticas bem como as persistentes tentativas de intromissão do império nos assuntos internos da China fizeram o passado e o presente das relações entre os países. Renegou também desde o início e "a sério" (não com concordatas) a intromissão religiosa no Estado e na sociedade chinesa. Qualquer intromissão de qualquer religião.
Na minha opinião, são estas as razões pelas quais a República Popular da China é, ainda hoje, tão mal vista por uns e ideologicamente receada por outros.
Muitos (ou quase todos) que não fazem a mais pequena ideia do que foi e é a República Popular da China mas não se coíbem de despejar as (des)informações que lhes foram passadas pela potência dominante através dos meios de masturbação mental.
Neste momento, local e mundial, a República Popular da China enfrenta um momento histórico. O capitalismo e o seu estado avançado, o imperialismo, mostra a quem ainda tinha dúvidas e precisava de provas reais que não é o sistema que a população mundial precisa.
Mas o Mundo tem que estar preparado porque é sabido que a besta ferida torna-se sempre mais perigosa.
E agora? É a pergunta que a República Popular da China terá de responder.
Mao Zedong disse uma vez do topo do monte Tai que o oriente era vermelho... é o momento de não ser só o oriente.
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