American employer (Jean-Marc Barr) - You commies make a big deal out of sharing everything.
Selma (Bjork) - Yeah... It's a good thing.
Chegou-me aos ouvidos que em Portugal todos seguem uma série de televisão chamada Prison Break. Não se fala de outra coisa nas paragens de autocarro, nos cafés, nas urgências dos hospitais.
E quando o meu irmão esteve aqui esqueceu-se de um dvd que trouxe. E eu a pensar que era um filme da Alaura Eden ou pelo menos umas fotos da Veronika Zemanová, eram afinal alguns episódios desta série.
E devo dizer que achei um bocadinho fraca. Já vi histórias com mais piada, interpretações bem melhores e inclusivamente séries com miúdas bem mais giras mesmo noutras séries de entretenimiento/propaganda americana. Mas conheço também aqui na China pessoas que seguem esta série, por 10 kuais conseguem-se dois dvd's com todos os episódios das duas temporadas.
Porque é que os USA nunca atacariam militarmente a DPRK?
A República Popular Democrática da Coreia faz fronteira territorial com 3 países. China e Rússia a norte, Coreia do Sul a sul. E portanto os Estados Unidos têm aqui (mais) um problema. Os 2 vizinhos do norte nunca permitirião uma intervenção militar naquele território.
Mas o problema dos EUA é maior. A República Popular Democrática da Coreia é um país comunista que se recusa a jogar com as regras capitalistas como fazem a China ou o Vietname e como tal não precisa da potência económica americana para nada. Aliás americanos, israelitas e sul-coreanos estão proibidos de entrar em território norte-coreano durante 9 meses do ano, apenas na altura das magníficas comemorações dos Jogos das Massas. A República Popular Democrática da Coreia tem avançada capacidade bélica de defesa e ataque, para além de que em caso de agressão militar cada coreano é um soldado. E por último como o fantasma comunista continua muito vivo, os EUA nunca voltariam a entrar numa luta ideológica que inevitavelmente diviria o Mundo e que deu tanto trabalho a uniformizar com a campanha de desinformação vulgo globalização em curso desde o fim da guerra fria.
É muito mais fácil ameaçar, invadir e agredir países sem qualquer ligação política ocidental como o Afeganistão, o Iraque ou o Irão que até nem comem carne de porco, maltratam as mulheres, dão tiros para o ar ou falam muito alto e é mais fácil para os idiotas que apoiam o regime americano perceberem (o QI destes anormais não é o ponto forte deles) mas se a República Popular Democrática da Coreia faz testes com mísseis que atingem o território americano ou testes nucleares só recebem um aviso tímido. A cobardia é fodida.
Gostava de viver em Pyongyang. É um dos poucos locais que me atrai depois de Shanghai.
Esta é a minha realidade aqui. E eu gosto disto.
É preciso nunca parar de conhecer pessoas, de fazer amigos. E é talvez o que eu mais gosto de Shanghai, a predisposição de toda a gente que conheci aqui em deixar-se conhecer e querer conhecer os outros. É comum.
Apesar das várias razões de todos e de cada um para o "porquê China?" há um denominador comum a todos nós. Há quem lhe chame espírito nómada, há quem ache que é a necessidade de querermos conhecer tudo e mais alguma coisa que nos trouxe até aqui e que inevitavelmente nos vai levar a outras paragens.
Adorei conhecer toda a gente que conheci desde que estou aqui. Pessoas que nunca esquecerei. Lembro-me da Lee Kiki e da Suzen Ding, as raparigas que me ajudaram a conhecer Shanghai antes de ter chegado aqui. Da Emilia Cai, a rapariga que conheci no primeiro bar onde fui em Shanghai poucos dias depois de ter chegado aqui. O Jim Luming, o bartender do Casual Bar, perto do meu primeiro Motel 168. A Nicole Wen e a Marie Anne que conheci numa festa em casa do Denis e da Luka. A Alessia, a primeira pessoa que ajudei a vir para Shanghai. A Yulia, que voltou hoje de Hong Kong e irá regressar a Moscovo na próxima semana. Nunca esquecerei esta grande amiga. As minhas maiores amigas chinesas Ada e Pauline. O espectacular pessoal do Live Bar, o Nami, a Angie, o Chris, a Shaniqua, o Jesse Munson, a Harsha, ... A libanesa Chaand, as russas Nadia Yulichka e Nataliya, as americanas Cherry, Molly Rager e Lauren Felice, a lituana Sonata, o chileno Jose Luis Moliner, a búlgara Dora Ioanna, a brasileira Fabinha, a holandesa Johanna, os irmãos filipinos Rommel e John Perocho, a francesa Amandine, o australiano Lyndon, o indiano Mahmudun Nabi, a húngara Mary Drobnak, os chineses Max, a Judy Wu, a Taki Xua, a Lily, a Candy Cheng, a Elle Chang, o Jake, a Jessie Xu, o pessoal da Adidas, o pessoal de todas as empresas por onde passei.
Curiosamente os primeiros portugueses que conheci aqui foram as pessoas que achei menos interessantes. Provavelmente a culpa nem foi deles, conheci-os pouco tempo depois de ter chegado aqui e a cadência de novas e espantosas situações tinha sido tal, estava tão contente com a generosidade, genuinidade e inteligência das pessoas que tinha conhecido, com a partilha de experiências que estava a espera de mais. De resto também sei que estes portugueses não tinham vindo para cá como eu ou como qualquer uma destas pessoas que mensionei, vieram para Shanghai como podiam ter ido para São Paulo, Sydney, Londres ou Nova Iorque. Foi o que lhes saiu na rifa. O denominador já não era comum aqui.
Mas a Yulia vai voltar para a Rússia daqui a poucos dias, a Chaand já voltou para o Líbano, a Molly vai para a Argentina e a Dora para a Alemanha em Agosto.
E eu também podia ir, há alguns sítios que me motivam mas o facto de adorar esta cidade, esta comunidade e estar muito entusiasmado com a chegada da Elsa dentro de pouco tempo fazem-me querer continuar aqui. Ainda mais conscientemente do que quando cheguei a 15 de Agosto de 2006.
Tenho pena de não ter fotografado toda a gente e de me ter esquecido certamente de alguém nestes 10 minutos que me levaram a escrever este post mas as imagens destas pessoas que gosto tanto ficam arquivadas em mim muito para além deste set do flickr. Mas estão aqui algumas fotos de amigos chineses, não-chineses que conheci na China ou não-chineses que me visitaram aqui na China.
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"Viemos, vivemos, conhecemos, conhecemo-nos, divertimo-nos, crescemos, trabalhamos.
Mas estamos só a começar. Nunca mais nos voltaremos a ver."
Tinha pensado fazer aqueles inquéritos manhosos durante pelo menos uma semana. Mas ao fim do segundo já estou farto e as mais de 300 respostas que recebi nestes 2 mostraram que se calhar devo reactivar decentemente o weblog.
Obrigado a todas e todos que se deram ao trabalho de responder.
Posso revelar a chave de respostas correctas, apesar das perguntas serem muito simples e muita gente ter acertado:
primeiro:
1 afinal onde está o ruinix?
china (a nicarágua era tentadora...)
2 o ruinix é um...
informático (proxeneta foi de longe a mais votada mas eu só perguntei o que fazia em full time)
3 o ruinix é membro...
da associação nacional para o software livre (a guerilha maoista nepalesa foi a mais votada)
4 qual destes não foi presidente da china
zhu enlai (mas foi um grande resistente da revolução chinesa)
5 estamos no ano chinês do...
porco (ainda não é o ano do benfica mas podia ter sido pior que o 3º lugar)
segundo:
1 o que é que eu nunca comi na china?
bacalhau (já levei uma amiga a provar como alguém se lembrou mas eu pedi outra coisa)
2 qual destes fascistas ajudou a criar o actual enclave do vaticano?
benito mussolini (foi este apesar da votação massiva no bush)
3 qual a marca de automóveis mais comercializada em shanghai?
volkswagen (nem japoneses nem italianos nem franceses, o maior é mesmo volkswagen)
4 qual o maior delta do rio yangtze que atravessa shanghai?
rio huangpu (esta era fácil mas houve algumas respostas no rio amarelo)
5 em que ano chinês estamos?
4705 (acho que ninguém falhou esta)
E pronto, se acertaram não vão ganhar nem uma viagem para as Caraibas nem um automóvel mas obrigado por continuarem a aparecer por aqui.
Vamos ver se aprendemos alguma coisa com o ruilog durante este ano?
Irei colocar questões novas em ruinix.net todos os dias. Ou não.
Mas os resultados serão divulgados no final.
Fui pela terceira vez a Beijing mas esta foi a primeira em que tive oportunidade de a visitar a sério. Aproveitando esta visita de 15 dias, tive desta vez como companheiros de viagem a minha Mãe, o meu irmão e a Lina e fomos numa viagem de 10 horas de comboio de Shanghai para Beijing.
E confirmei a sensação que tive logo na primeira visita. Apesar de ser uma cidade diferente da "minha" Shanghai, sem todo o ambiente futurista dos edifícios, Beijing é uma cidade onde gostava de viver.
Mas mal chegamos, o primeiro sítio que visitamos foi a Praça Tian'anmen (ou Praça da Paz Celestial). Rodeada pelos míticos museus e locais emblemáticos como a Cidade Proibida, o Mausoléu do Presidente Mao, o Grande Palácio do Povo (sede do Congresso Popular), o Museu da História Chinesa e o Museu da Revolução Chinesa, o Monumento aos Heróis Populares (uma homenagem aos chineses mortos na revolução). Um local impressionante.
No dia seguinte, às 6h da manhã partimos em direcção à Grande Muralha. A 70 km de Beijing pela entrada de Badaling. Onde eu e o meu irmão decidimos subir e descer uns 1500 degraus em menos de hora e meia, onde encontramos uns chineses de Xi'an com mais de 70 anos aparentemente em melhor forma física que nós (passamos os 3 dias seguintes em massagens).
Fomos também visitar os túmulos Ming e quer este quer todos os outros palácios e templos lindíssimos são a prova do porquê da revolta popular contra a oligarquia imperial.
No dia seguinte fomos visitar o Templo Tiantan, um conjunto de edifícios com arquitectura e pintura das mais lindas que vi na China até hoje.
Todas estas visitas culturais intercaladas com alguns excelentes restaurantes (árabes ou o conhecido pato de Beijing), alguns locais gastronómicos tipicamente chineses onde provamos bichinhos da seda, lesmas, serpentes e escorpiões e na companhia de amigos que fomos fazendo, fizeram que esta viagem se tornasse memorável.
De resto tenho já algumas fotos publicadas aqui e mais tarde irei publicar mais.
A 11 de Maio de 2006, a pedido de alguém muito especial, iniciei este weblog com objectivos muito diferentes dos anteriores ruilogs e que mais tarde deu origem a este e a este. Foi a forma mais eficaz de manter actualizados (conforme mereciam) todos os meus grandes amigos e amigas, que infelizmente não estavam diariamente comigo, acerca da minha ida para a China como tinha decidido em Fevereiro desse ano.
Escrevi muita coisa entretanto. Muita coisa engraçada, muita coisa completamente absurda, muita informação sobre como vejo a China e Shanghai e o Mundo, muita coisa que me custou muito escrever e que só o fiz porque sabia que o silêncio ia incomodar muito mais quem me importa.
Não é o fim dos meus weblogs ou dos vários feeds (webcams, weblogs, ...), não é o fim do ruinix.net até porque gosto de escrever mas não o irei fazer com a mesma assiduidade. E também o meu flickr continuará a receber fotos (sempre que me lembrar de as publicar...).
De qualquer das maneiras, o ruinix@gmail.com estará sempre pronto a receber questões, dúvidas sobre a China e como sempre irei tentar ajudar no que puder. Seja sobre preços de máquinas fotográficas, seja a alguém que pretenda viver em Shanghai. ;)
Uma palavra final para os mais de 2000 comentários públicos que recebi. E para os muitos mais comentários via mail. Este feedback de Portugal, da Catalunha, da China, de todo o Mundo foi realmente a motivação extra para continuar a escrever.
Obrigado a todos. É bom ter amigos assim.
Beijos e abraços!
Sei que este post era esperado por muitos há muito tempo e hoje pareceu-me o dia indicado para o publicar. Afinal de contas só tinha para dizer "bem, hoje faço 25 anos".
Mas vamos ao que importa, quem é que naquele momento não teve já problemas para abrir o soutien sem a ajuda dela?
Pois bem, conheces os Women's secret? Intimissimi? Esquece.
E com a autoridade do meu título de Consultor Sénior posso revelar aqui que não há nada como os soutiens chineses. Há outros bastante bons por este Mundo fora, é verdade, mas estes são realmente qualquer coisa pela facilidade de abrir sem se tornarem num elemento de distracção. Mas alguns dirão "ah ok, mas as chinesas não têm mamas" e eu admito que sim. É complicado encontrar uma chinesa com uma copa B mas com alguma experiência é possível. E de resto há sempre os exemplos de portuguesas, russas, americanas, brasileiras e afins que compraram lingerie por aqui.
O segredo está no fecho nas costas delas.
Shanghai é uma cidade diferente. Resultado da heterogeneidade cultural com base na cultura chinesa. Nesta semana que começou no 1º de Maio e que irá culminar hoje, a 7 de Maio, Shanghai voltou a transformar-se. E de uma cidade de trabalho, passou a uma cidade de diversão. Perto de minha casa teve lugar uma grande feira do livro, Xintiandi ganhou outra força nesta semana e no Parque Fuxing teve lugar o Jazzy Shanghai, um festival de jazz memorável (aprendi a gostar de jazz e bossa nova há alguns anos e este foi o melhor concerto de jazz que já assisti) provando uma vez mais a diferença cultural entre a China e o ocidente e a forma como a cultura chinesa convive com o que é diferente.
Porque os chineses também acham que os ocidentais são (somos) pessoas "estranhas" mas, ao contrário da cultura ocidental, tentam conviver com os "estranhos" e perceber o que o ocidente tem de positivo a oferecer.
Mas fui com a Yulia assistir ao concerto de encerramento do festival, uma excelente mistura de música electrónica, hip hop e jazz interpretada pelo Bruknahm Project numa sala composta por umas 1000 pessoas na sua maioria chineses. Há mais fotos do concerto aqui.
Foi talvez a última vez que a vi porque apesar dela ainda ficar aqui até ao fim do mês, eu detesto despedidas.
Há poucos momentos que nos marcam de tal forma que simplesmente mudam o que sempre fomos. Budapeste foi um dos meus e neste texto não é referido propositadamente um pacto, uma das mais fantásticas conversas entre quatro verdadeiros amigos. E escolhi Shanghai e estes dias, da semana do 1º de Maio na China e do meu 25º aniversário e este ano, porque a China e Shanghai ficarão marcados em mim para sempre. Num sítio muito mais profundo que na pele.
Aqui passei e passo os melhores e os piores momentos, os mais felizes e os mais duros momentos da minha vida.
Nunca irei esquecer nem uns nem outros.
O 1 de Maio sempre foi uma data especial para mim. Pelo significado pessoal e colectivo.
Mas este é diferente. É o meu primeiro 1 de Maio em solo comunista.
E tal como os costumes ciganos, na China uma data importante é comemorada durante uma ou duas semanas. Portanto a partir de hoje vai haver uma semana de festividades, eventos e é uma semana em que muitos chineses aproveitam para viajar e conhecer a sua China.
E é isso que vou fazer também porque estou todo estourado das mudanças para a nova casa, é incrível a quantidade de tralha inútil que consegui amealhar em pouco tempo.
Mas graças a amigos consegui mudar tudo em tempo record (xièxie, gracias, thank you, danke a todos). E já publiquei fotos desta pérola aqui. Bem, tecnicamente é de facto um triplex mas não é nada assim tão especial, se calhar exagerei um bocadinho e algumas pessoas ficaram com uma ideia errada. É um apartamento maior do que quase todos em que já vivi aqui, fica num edifício muito antigo, com pormenores tipicamente chineses, fica também perto de uma grande via rápida (o que para mim não é um problema porque adormeço mais facilmente num local com algum barulho do que num completamente silencioso) mas mais importante que o apartamento é o local em que está inserido. Isto não diz nada a quem não conhece nada de Shanghai mas fica a dois passos do Parque Fuxing (um dos vários parques de Shanghai), perto da Maoming lu, perto da Huaihai lu, perto de Xintiandi, perto da Praça do Povo, perto de vários bares. Alguns dos meus lugares preferidos em Shanghai. Eu gosto.
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