Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

A China não é um país, é um Mundo diferente

Em 2008, numa resposta a uma grande amiga portuguesa, disse-lhe: "... quanto a informação sobre a China, a verdade é que só é idiota quem quer e só é tratado como idiota quem quer. E disso eu vi muito em Portugal, e os que sempre foram ainda estavam mais. Os media fazem as opiniões. E confesso-te que da última vez que estive em Portugal me assustou a forma como a mentira e a confusão eram tão difundidas, subtil ou descaradamente, e tão facilmente assimiladas. E o pior é que poucos se incomodavam com isso.".
Mas não me interpretem mal, o problema não está só em Portugal. Está no império americano e em todos os seus lacaios. Mas a solução está em todo o lado também, em todas as pessoas que achem que o mundo imperial é incrivelmente absurdo, injusto e surreal. Todos os que cruzarem os braços e se resignarem perante a inevitabilidade do império são tão culpados como o próprio império.

Mas... o que estou a fazer? Vim agora a este mundo cibernético para escrever um pouco sobre a nossa incursão pela fascinante e remota China... Deve ser por causa desta Estrela Vermelha aqui ao lado.
Mas continuando, isto dava um filme chinês. Até podia aparecer o Sun Wukong (Monkey King) com aquele risinho estúpido.
Em Novembro, depois de quase 3 semanas em Xizang (ou Tibete) rodeados por cenários tão belos que ficarão nas nossas memórias para sempre (onde batemos alguns recordes engraçados naquelas montanhas, mas duvido que possam ser escritos no Guinness...), no meio de uma monumental bebedeira onde já nem víamos a dobrar, víamos a dobrar do dobrar, a Isabella e eu tivemos a brilhante ideia de fazer uma pequena alteração ao plano inicial de viagem:

I: Não sei se temos tempo mas e se fossemos ver a barragem das Três Gargantas? Fica muito longe daqui?
R: Um bocadinho. Acho que fica em Hubei. Como o nome indica é a província acima da primeira que visitamos, Hunan.
I: Achas que está frio?
R: Acho, mas não mais do que está aqui. É uma excelente ideia, Isa. Vamos fazer isso. :)
I: :)

Nem pensamos duas vezes. A aventura pelo desconhecido e o amor pela imprevisibilidade marcaram a nossa viagem desde o início (ou possivelmente as nossas vidas desde o início). Foi esse, talvez, o nosso maior fascínio e entusiasmo.
E então com esta emenda ao plano, fomos para Wuhan e Yichang (onde estão as Três Gargantas) na província de Hubei.
Mas a caminho de Wuhan o que aconteceu? Uma anomalia inesperada. Perdemos uma carteira com o dinheiro que tínhamos connosco e o meu passaporte. Não era muito grave, desde que começamos esta viagem já resolvemos problemas bem mais complicados.
Mas pronto, o que importava agora era olhar em frente. Para aquelas duas boazonas que se estão ali a despir. AHAHAHAHAH!! Esta piada não é minha, ouvia-a há uns anos num Herman Enciclopédia.
Mais a sério, como era noite, optamos por ir a uma esquadra da polícia reportar o que perdemos. Fazia sentido que precisasse de uma declaração da polícia para conseguir depois um passaporte novo e, principalmente porque, tínhamos assim sítio para passar a noite. Uma das celas, como sugerimos. Mas os polícias disseram-nos que não era preciso (possivelmente com receio que fizéssemos uns filmes XXX e depois os vendêssemos na internet, não sei) e levaram-nos para uma estalagem que acolheu-nos, alimentou-nos e ofereceu-nos tudo o que precisássemos. Onde ficamos uns dias.
Gente tão prestável e simpática exactamente quando precisávamos. Nada daquilo poderia ser pago com meras palavras mas dadas as precárias condições em que viajávamos e em que nos encontrávamos, não havia muito mais a oferecer. Apenas beijos e abraços fraternos.
Este foi sem dúvida um momento distinto desta "caminhada". Ou desistíamos e voltávamos para Shanghai ou continuávamos.
Sem nada a temer.
Nunca desistimos de nada e decidimos continuar, ainda com mais vontade. Tínhamos de completar... o círculo.
Ainda tínhamos o passaporte dela e por acaso tinha uma cópia do meu, se fosse necessário. Depois de Wuhan, Yichang e da magnifica e gigantesca Hidroeléctrica das Três Gargantas, onde fizemos fotografias espantosas e que nos encheu de satisfação quando a vimos pela primeira vez. Principalmente por termos insistido quase cegamente em ir àquele lugar, apesar de todas as contrariedades que nos aconteceram. Sem palavras, percebemos no olhar de ambos, o quão orgulhosos estávamos um do outro. Com um beijo, concordamos que íamos juntos até ao fim.
Fomos depois de comboio até Lanzhou (Gansu), onde vimos uma Dança do Dragão e do Leão (a águia ou galinha já não sabe dançar...), e depois Xining (Qinhai), onde passamos uns dias e recuperamos forças antes de continuarmos na rota da seda em Xinjiang.
Continuamos o nosso caminho e estivemos ontem em Urumqi, e agora dentro do deserto Takelamagan por todos estes lugares mais ou menos desérticos e de belezas únicas. Tão diferentes de toda a China que conhecemos até agora.
Numa conversa concluímos que há realmente algo que encontramos em todos os lugares por onde passamos. O amor, o carinho e a tentativa de nos ajudarem sempre da melhor maneira possível. Devemos muito a todos os que se cruzaram connosco até agora. É tão gratificante estar tão perto da espécie humana. A verdadeira, não o sub-produto nojento com uma obsessão por um estilo de vida surreal transmitido pela teelvisão.
A única vez que tinha estado num deserto foi no Saara há uns anos. Espantosas formas de vida por aqui também, lutas pela sobrevivência. Não há Tuaregues por aqui mas, se não me engano, tuaregue quer dizer em árabe qualquer coisa como "abandonado pelos deuses". Bem... desde que nasci, os deuses foram abandonados por mim. Devo ser um Tuaregue ao contrário. Ou um Tuaregue ateu. Mas também estou na China, os deuses e os pseudo-salvadores meta-físicos ou mitológicos não podem entrar aqui.
No deserto Takelamagan as paisagens de dunas de areia são indescritivelmente lindas e impressionantes. As noites são muito frias e agora os dias também. Já vimos nevar num deserto. É algo que não se vê todos os dias, acho eu. E quando o vento sopra... se não fossem estas roupas e mantas estranhíssimas que nos ofereceram em Tulufan, já tínhamos congelado há muito. Mas estamos finalmente na rota da seda de Xinjiang. Desde o início que este era um dos nossos maiores objectivos. O plano é irmos até ao extremo oeste da China, Kashi.
Seja de comboio ou camioneta ou caravana de camelos ou a pé.
Em Urumqi, uns simpáticos chineses daquela cidade disseram-nos que Kashi ia dos 40 graus no verão a -40 no inverno. Não sei se é verdade, mas ficamos ainda com mais curiosidade em conhecê-la.
Esta está a ser a continuidade perfeita à nossa mágica viagem.
Sem querer comparar graus de frio (até porque foram/são os dois incrivelmente frios), este frio é diferente do que tivemos em Xizang (ou Tibete). Em Xizang, lembro-me de descolar com as unhas o gelo acumulado da cara da Isabella e ela da minha (nunca mais deixo crescer barba...), aqui no deserto tem sido mais o vento também ele ultra-congelado.
Mas há uma semelhança em ambos os lugares, a partir de um certo grau de frio, seja lá ou aqui, deixamos de sentir frio. Ou calor. Ou o que quer que seja, na verdade. De qualquer das maneiras, talvez não tenhamos de amputar extremidades do corpo...
Mais a sério, sem querer comparar as montanhas que verdadeiros alpinistas sobem e as que nós subimos na cordilheira do Himalaia (apesar de também as termos escalado sem oxigénio artificial...) ou as lutas diárias destes chineses do deserto quer contra o frio desmedido quer contra o calor sufocante, admiro ainda mais os que têm coragem de enfrentar aqueles ou estes extremos de temperatura.
A China é maravilhosa e todas as diferenças/riquezas cénicas, culturais, paisagísticas tornam-na incomparável. Por muitos anormais, cretinos e/ou betada que Portugal, ou qualquer outro país do império, mande para aqui para "Contactarem" e encherem os bolsos, desinformarem e manterem a falácia.
As praias de Dalian ou Xiamen ou Hainan, as montanhas de neve em Yunnan e em Xizang (ou Tibete), a cidade do gelo (Harbin) que vamos visitar em Janeiro ou Fevereiro, os cenários mágicos de Hangzhou, Xi'an ou Guilin, este deserto e certamente o de Gobi, a cultura e todas as culturas em todas as cidades chinesas. O melhor do Mundo está aqui, na China. E nós fazemos parte dela.
A China não é um país, é um Mundo diferente. Um Mundo melhor. Muito melhor.
Orgulho-me muito de tudo o que estamos a fazer e da extraordinária companheira que tenho ao meu lado. Isto, sim, é viver.
É sabido que mais cedo ou mais tarde a nossa vida tem de acabar, o que importa é irmos até ao infinito entretanto.
Viver a sério, tudo o resto é morte lenta. O pior da espécie.

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Terça-feira, 3 de Novembro de 2009

No tecto da China

Onde está o ruinix? A arder no inferno? Não, a enregelar na região autónoma de Xizang (Tibete), República Popular da China. O que me vale é que estou com uma brasa italiana que me vai permitindo manter uma temperatura aceitável. (nós, os ateus, não temos todos o mesmo "castigo" para toda a eternidade)
Já agora, passei os olhos também pelo ruinix@gmail.com e tinha cerca de 500.000 emails por ler. Não me odeiem se não responder...
Mas voltando a Lasa, esta cidade tresanda a religiosidade. Tal como calculava. E é sabido que o meu desprezo é transversal a toda e qualquer religião, ou mitologia religiosa, e a todos e quaisquer rituais destas, mais ou menos satânicos ou anti-satânicos ou simplesmente absurdos (não, não és a única santa besta, B16). E por isso depois de um dia nesta cidade decidimos unanimemente, entre todos (nós os dois...), que tínhamos de ir para outros lugares no Tibete. Para nós, de longe o verdadeiro e melhor Tibete. Cidades e lugares muitíssimo mais interessantes e sem intoxicação de incenso.
De repente lembro-me de uma aldeia, que vamos visitar num dia destes perto da fronteira da China com o Butão, chamada Cona. (depois do café Kona do Havai, depois do logótipo dos cafés Costa, a aldeia Cona no Tibete... "- Ah, onde é que vives? - Eu vivo na Cona. Aldeia engraçada, quentinha. Um pouco húmida..." Que se passa com este mundo?! Quem se lembra destes nomes anda com falta de alguma coisa...)
Mas as nossas fotografias de quase três semanas de viagem são já mais que muitas. Desde Changsha e Xiangtan do Mao em Hunan, a espantosa e lindíssima Guilin, continuando por Nanning e Kunming e outras maravilhosas cidades no sul da China, chegamos a Xizang Zizhiqu (Tibete) e depois de Lasa, e hoje Shannan, esperam-nos Xigaze, Jiangzi e outras aldeias ou vilas por aqui, a seguir a província de Qinhai onde vamos passar uns dias em Xining e depois Lanzhou na província de Gansu antes de partirmos para a rota da seda em Xinjiang, nas cidades de Urumqi, Tulufan, Yanqi, Kuerle, Akesu, ..., algumas no deserto Takelamagan e outras no deserto de Gobi. Continuando pelo deserto de Gobi, e por toda a Mongólia Inferior, temos muito para ver e vamos ficar nalgumas cidades até chegarmos a Harbin na província de Heilongjiang para vermos as Esculturas de Gelo e Neve nesta cidade (um dos pontos altos da nossa viagem), que fez parte da União Soviética desde 1948 até ao início da República Popular da China em 1949, e que tem uma história de mais de 4 milénios. O plano é acabarmos esta viagem no mítico monte Tai, a sul de Jinan, na província de Shandong. Todos os problemas, dificuldades ou contrariedades bem como as agradáveis surpresas, satisfações ou alegrias que passamos desde que começamos esta viagem tornaram-na e continuarão a torná-la no que esperávamos dela. Só os aventureiros e corajosos percebem isto.
É certo que viemos sem roupa ou calçado adequados mas tratamos de começar esta viagem na nossa Shanghai, mais especificamente em Xujiahui, e equipamos-nos com vários SD memory cards (uns 20...) para as nossas máquinas fotográficas. E queria publicar agora algumas das fotos (que estão todas espantosas) para libertar espaço porque temos ainda muito caminho a percorrer, mas esta internet do século XIX não me permite. Ou então a ligação até é boa mas o dalai-lama está a usar toda a largura de banda com o pornotube.
Nem consigo saber por quantos o Braga foi goleado... AHAHAHAH!!!
Antes de sairmos de Shanghai, um Jugoslavo e grande amigo nosso desejou-nos muita sorte e comentou connosco que viagens como a que pensamos são viagens de uma vida. Mudam as nossas perspectivas de quase tudo.
É possível que sim, é possível que já estejam a mudar. Ou a aprofundar. Certamente que este Mundo nunca mais será o mesmo.
Pois bem, está aqui um frio do catano. Vou ver se encontro café ou qualquer outra coisa quente. Arrivederci!

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Terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Grande viagem da China

Acompanhado pela Isabella, hoje começo uma épica viagem pela China. Vamos passar de comboio pelo centro, sul, oeste, norte e leste deste espantoso país; durante 3 meses (mais coisa menos coisa, se correr bem...) estaremos em partes mais ou menos incertas.
E escolhemos exactamente o inverno para o fazer. Já não me lembro bem porquê mas foi uma excelente ideia. Assim de repente, lembro-me que é Outubro, e toda a gente sabe que o Outubro é vermelho. Esta é também una lucha a la muerte.
Planeamos o possível ao detalhe e sabemos que não temos a roupa necessária, é algo que temos de ir arranjando nas cidades por onde passemos.
Lembro-me por exemplo que em Harbin as pessoas até gostam de nadar num lago cuja temperatura da água é de -5 graus porque lá fora está -20 ou -30.
De resto temos tudo. Temos vontade e coragem. Momentos difíceis esperam-nos, mas eu também prefiro morrer de pé a viver sentado.
Espero não ver o dalai-lama reaccionário em Xizang (ou Tibete) senão, mandatado pelos meus votantes, tenho de o mandar para a buda que o pariu (ah é verdade ele fugiu do Tibete com a ajuda da sua CIA...), mas se nos der na cabeça ainda escalamos o monte Evereste (ou não... ao contrário do João Garcia quero ficar com as extremidades do meu corpo).
Andaremos no deserto de Gobi, na província de Xinjiang, e veremos as esculturas de neve e gelo em Harbin.
Entre Hunan de Mao Zedong até ao monte Tai, onde o mesmo Mao disse que o oriente era vermelho (vou ver se ainda é...), vamos passar os próximos meses.
Como não pretendo ter qualquer contacto com computadores ou internet, vemos-nos por aí.

publicado por r. às 12:23
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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Porque

Pessoas diferentes, sem qualquer contacto entre elas, que me conheceram bem (de uma forma ou de outra) dedicaram-me algumas vezes, nos últimos anos, este poema. Quer quando ainda vivia em Portugal quer quando passei a viver na China.

--
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Obrigado! :)

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Quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

60 anos da República Popular da China

Como Mao Zedong disse a 1 de Outubro de 1949, às 3h da tarde em Beijing, "o Povo da China pôs-se de pé".
Durante estes anos todos, e ainda hoje, não faltaram os que o tentaram ajoelhar outra vez.
Sob o peso da algoz propaganda.
Nestes últimos 3 ou 4 anos fiz parte deste país. A República Popular da China foi a minha pátria e a minha casa. E deu-me tudo o que podia esperar, e o que não esperava também.
Mas 60 anos depois ainda há perigos para a China? Claro. Muitos. Enquanto existir o império, o Povo da China tem de estar muito atento. Por mais bem falante ou mais estúpido que seja o seu interlocutor do momento, o império nunca deixará de tentar subjugar e aprisionar o resto do Mundo.
O que aconteceu na União Soviética é um bom exemplo, e que deve ser bem aprendido por todas as forças revolucionárias, para nunca se baixar o braço direito com o punho cerrado.
Um canal de televisão aqui na China está a perguntar: "o que vais fazer para comemorar os 60 anos da República Popular da China?".
Eu vou cantar "A Internacional".

--
Messias, deus, chefes supremos,
Nada esperemos de nenhum!
Sejamos nós quem conquistemos
A Terra-Mãe livre e comum!
Para não ter protestos vãos,
Para sair deste antro estreito,
Façamos nós por nossas mãos,
Tudo o que a nós diz respeito!

 

Fotos dos 60 anos da República Popular da China

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Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Férias em Dalian

bingyugou

Estive de férias nesta última semana em Dalian, na província de Liaoning. Estive a dois passos (ou mais precisamente do lado chinês do rio) da Coreia do Norte em Dandong. Jantei em Dalian com uma portuguesa de quem gosto muito. Mas é melhor começar pelo início.
Há já muito tempo (mais de um ano...) que não fazia uma viagem de comboio e, como tinha tempo, decidi ir de Shanghai até ao norte da China neste meio de transporte no início da semana anterior e voltei no sábado passado.
Fui no lugar 13, carruagem 13, compartimento 4 e fui no dia 14. Se fosse supersticioso tinham-me acontecido as coisas mais bizarras que se possam imaginar. Mas como sou um comuna do pior e um agente secreto chinês, nem o diabo se mete comigo.
E Dalian correspondeu às minhas expectativas. É de facto uma espantosa cidade da China. Das mais bonitas cidades chinesas que já conheci.
Banhada pelo mar Amarelo (não, a água não é amarela...), é uma excelente cidade balnear na Manchúria perto da Coreia do Norte.
Fui passar um dos dias a Bingyugou, uma zona montanhosa perto de Dalian.
No dia seguinte fui a Dandong e, separado pelo rio Yalu, vi um bocadinho da Coreia do Norte.
Numa breve história da Guerra da Coreia (1950-1953), a Coreia do Norte foi ocupada pelos Estados Unidos e pelos lacaios sul-coreanos mas a China e a União Soviética viraram-se uma para a outra e disseram: "mas o que é esta m$#!*??", e ajudaram os norte-coreanos a mandar os Estados Unidos e os do sul co'as put/$ e libertaram a Coreia do Norte. Mantendo-se independente ainda hoje. Não com muitos amigos, é verdade. A China será o único país com quem a Coreia do Norte tem relações comerciais, mas com amigos assim a República Popular e Democrática da Coreia tem as costas bem protegidas.
E nessa noite fui jantar com uma rapariga espectacular que conheci aqui em Shanghai em 2007 mas que foi trabalhar para o norte da China. Ainda há excelentes portugueses.
Ela e outras pessoas apaixonantes, que me contactaram e me pediram informações ou sugestões sobre a China, são a razão principal para ter mantido este blog aqui na China.
E na sexta-feira fui para a estação de comboios de Dalian e 26 horas depois, e 7 ou 8 províncias e municipalidades depois, voltei à minha Shanghai.
Podem ver algumas fotos aqui.

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Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Considerações sobre a ruptura sino-soviética

Num contexto histórico, é difícil para mim apoiar um dos lados na conhecida como ruptura sino-soviética. Mas curiosamente aceito mais facilmente alguns dos argumentos do lado chinês para a China, pelo menos até uma certa altura cronológica.
Não escondo que para mim a União Soviética que sempre admirei e admiro, terminou com a morte de Josef Stalin. Em 1953, não em 1991.
Admito que esta possa ser uma análise/afirmação um pouco injusta... mas desde Nikita Khrushchev até Mikhail Gorbachev (que, mais ou menos, premeditadamente) só levaram à vitória da contra-revolução naquele país. Mas foi sempre (e muito justamente) a referência ideológica de muitos movimentos comunistas no Mundo.
Acho que o exemplo chinês teve credibilidade na China, e naquele momento histórico da China. Não acho que faça qualquer sentido usar essa experiência chinesa noutros lugares do Mundo. Que eram, e são ainda mais agora, muito diferentes da China semi-feudal de 1949. Não faz sentido sequer na China actual.
É mais ou menos conhecido que Mao Zedong ignorou quase todos os conselhos estratégicos do Comintern para a Revolução Chinesa. As suas justificações eram que a Revolução Chinesa tinha de ser diferente, nomeadamente, da Revolução Russa.
Mao Zedong foi um magnífico revolucionário, estratega militar, mobilizador político e poeta. Levou à libertação da China e do povo chinês. Como Presidente, por vezes teve ideias e práticas um pouco utópicas (a experiência do Comintern teria ajudado aqui...), outras vezes com ideias e práticas que permitiram que este país sobrevivesse.
Mao, que até tinha dito que Stalin era o pai de todos os movimentos comunistas no Mundo, cortou relações com a URSS depois das afirmações do novo presidente Khruschev no seu "famoso" discurso de 1956 em que renegou de todas as formas o seu antecessor soviético.
Mas voltando ao início da Revolução Chinesa, pelas características históricas do país, "a luta da China daquela altura tinha de ser baseada nos camponeses e não nos operários urbanos como foi a russa. A China era uma sociedade semi-feudal naquele momento ao contrário da sociedade russa em 1917", argumentou Mao.
E até aqui posso aceitar os argumentos chineses. O problema poderá ter vindo depois.
No entanto, como Zhou Enlai, primeiro-ministro chinês quando Mao era presidente, também dei algum benefício da dúvida às políticas de Deng Xiaoping (as ideias de Deng incidiram mais na potencialidade económica deste país) e continuadas por Jiang Zemin e Hu Jintao. Ajudaram a que a China crescesse economicamente (e de que maneira) e fizeram com que este país suportasse a confusão ideológica e contra-revolucionária, e a re-escritura da história, provocada pela globalização do império aquando do desaparecimento final da União Soviética. Mas, sinceramente, só espero que Deng Xiaoping não tenha sido um Khrushchev chinês. E principalmente que não apareça por aqui nenhum Gorbachev.
Mas a minha maior dúvida sobre a China é, depois de jogar com regras capitalistas conseguirá sair e jogar com as suas próprias regras? Mesmo com um possível desaparecimento dos Estados Unidos e do seu apêndice Israel?
Esse é o meu único receio sobre esta República Popular da China.
É perigoso, demais.
No entanto, acredito neste país e neste povo. Sempre vermelho.

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Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

Próxima paragem, Dalian

E a escolhida é... [trrr trrr trrr (tambores de suspense)] Dalian.
As razões são óbvias, esta é uma das melhores cidade balneares da China e o verão será a melhor altura para a visitar. As 3 Gargantas ficarão para outro momento. Ainda este ano, espero. (porque será que o nome 3 gargantas me lembra sempre o título de um filme porno...).
O meu meio de transporte será o comboio. UHHUUUUUHH!!! Pois é, finalmente arranjei tempo para percorrer estes 5000 km de comboio. De Shanghai para Dalian, e de Dalian para Shanghai. Quase todas as minhas últimas viagens foram de avião... mas o comboio continua a ser, sem dúvida, o meu meio de transporte preferido.
Mas estou também muito triste, a minha namorada não pode ir comigo (nem todos podem fazer férias quando se lembram...). As massagens dela têm-me mantido vivo, é um facto. Vou sentir falta disso. Mas é só uma semana. Devo sobreviver. Talvez.
Ora bem, planos... tenho uma cerveja combinada com a Brígida, que por acaso vai estar em Dalian nesse momento. E... ainda não pensei em mais nada.
Mas preciso de férias agora. E como tal, vou nesta ou na outra semana.
Portanto se não escrever na próxima segunda ou estou de férias ou aconteceu-me alguma coisa grave ou não me apeteceu.

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Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Nanjing! Nanjing!

Uma amiga chinesa falou-me há pouco tempo de um filme chinês muito recente chamado "Nanjing! Nanjing! Cidade da Vida e da Morte" do realizador Lu Chuan.
Um dia destes comprei-o numa loja de filmes perto de minha casa e todos os chineses com quem me cruzei nesse final de tarde, desde o rapaz da loja dos dvds à rapariga do supermercado onde fui depois, ficaram com um orgulho evidente no olhar pelo interesse que tinha em ver exactamente aquele filme chinês.
E na verdade, este filme impressionou-me como muito poucos, e não foi por não ser nem de hollyhood nem de bollyhood. Desde a fotografia, às interpretações, à história, à forma como abordaram aquele hediondo massacre.
De facto, poucos filmes me impressionaram como este.
O filme passa-se no momento da invasão japonesa na altura em que aquela cidade era a capital da China. Não vou contar a história do filme, não devem faltar sinopses pela internet fora. Mas achei interessante também que em nenhum momento, tal como no Memorial ao Massacre de Nanjing, o ódio ao Japão actual fosse alimentado. Pelo menos o ódio fácil.
Em Nanjing, o Exército Imperial Japonês matou em pouco tempo cerca de 300 mil pessoas, cometendo e espalhando, das mais violentas e repugnantes formas possíveis, impensáveis atrocidades contra o povo da China. Mas esta cidade renasceu depois com Mao Zedong, o Partido Comunista da China e o Povo Chinês, que com um tremendo sentido de patriotismo, começaram a libertar cidade após cidade, até expulsarem o invasor japonês dando início à República Popular da China. Vejo assim a dicotomia do nome "Cidade da Vida e da Morte".
Recomendo vivamente este grande filme chinês.

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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Tongli, Xitang e outras coisas

Neste fim de semana fui com a Isabella e uns amigos a Tongli no sábado e a Xitang no domingo.
São duas cidades relativamente próximas de Shanghai mas já noutras províncias. Fomos de carro no sábado depois do almoço para Tongli, na província de Jiangsu (que fica a pouco mais de uma hora de carro de Shanghai), onde passamos a tarde e a noite e no domingo rumamos a Xitang, na província de Zhejiang, e depois voltamos à nossa Shanghai.
São duas bonitas cidades de canais ao estilo de Suzhou e algumas outras na China (ou de Veneza também).
Dizem que não chega uma vida para ver todas as cidades da China. Acredito que sim. E acredito também que devo ver tudo o que puder nesta porque não há certamente outra vida.
Mas uma das conversas foi sobre religião. Já não me lembro porquê nem quem começou. Mas não fui eu, de certeza... E o namorado de uma amiga, um francês, disse-nos que era cristão e que não gostava muito de visitar os templos budistas, e só ia porque a namorada queria.
Eu disse-lhe que sou ateu, que pessoalmente nem sequer respeito a ideia de religião. Qualquer que seja. Mas desde que uma qualquer religião não seja imposta pelo Estado, pela comunidade ou por algum grupo não me incomoda que existam. No caso budista, e noutros provavelmente, conhecê-la são sempre formas de conhecer detalhes e passados culturais, para mim, muito mais interessantes e importantes que a própria religião. Vou e fotografo os Templos Budistas unicamente para fazer boas fotografias (não sei se lhes chamaria boas mas pelo menos fica a tentativa...), apesar dos monges ficarem visivelmente aborrecidos quando lhes tiro fotos quando estão numa cerimónia qualquer que supostamente é importante para eles.
Mas de qualquer das maneiras admiro a forma como a China encara a religião. Todos são livres de terem ou não religião, são inúmeros os templos, mesquitas, igrejas, sinagogas na China, mas principalmente nenhuma religião é imposta ou condiciona a evolução política deste país. E acho que é assim que as coisas têm de ser.
Nasci num país que se diz ateu, mas que tem umas coisas chamadas concordatas que fazem com que Portugal nunca seja realmente ateu e que esteja sempre como o Vaticano quer. Mas também o que haveria de esperar de um país que foi fundado pelo próprio Vaticano... Ao que a Isa acrescentou, "Podia ser pior. Nós temos o próprio Vaticano dentro de Itália.".
Pois, tens razão.

publicado por r. às 01:04
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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

Dalian ou Três Gargantas?

Dizem que falo pouco de mim aqui. Pois bem, estou indeciso com a minha próxima visita. Dalian ou a Represa das 3 Gargantas. Está um tempo de merd... foleiro em Shanghai. Dizem, meio na brincadeira meio a sério, que é o pior verão de sempre em Shanghai. É possível, é de longe o pior dos que passei aqui. Graças aos tufões que passaram perto daqui. E será a primeira vez que sinto isto, mas quero sair de Shanghai agora. Momentaneamente.
Sempre quis ir a Dalian, é frequentemente designada na internet como a mais bonita cidade da China. 3 anos depois e muitas cidades chinesas depois, não confio muito nestes rankings, dado que todas as cidades chinesas que visitei são espectaculares e belas, cada uma pelas suas razões e grandes motivos de interesse.
Seja como for, interessa-me visitar Dalian. E sendo esta uma cidade costeira com algumas das melhores praias da China, o verão será mesmo o melhor momento para a visitar. E depois de nadar no Pacífico perto da ilha chinesa de Taiwan em Xiamen, gostava de nadar no Pacífico perto da Coreia do Norte.
Por outro lado, tenho a Represa das Três Gargantas. A gigantesca e magnífica obra de Engenharia da China moderna. Um cruzeiro de alguns dias a bordo de um navio que sobe o rio Yangzi que vai desde Shanghai até às 3 Gargantas. Algo que gostava muito de ver também, quer pela viagem quer pela descomunal barragem.
Na China referem que a grandiosidade das 3 Gargantas só é comparável à Grande Muralha da China. E para quem conhece a Grande Muralha, está tudo dito.
Decisões, decisões.

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Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

China, 3 anos

Estou a uns dias de completar 3 anos desde que cheguei, pela primeira vez, à República Popular da China. Parece que foi ontem e ao mesmo tempo parece que passaram 300 anos. Muito mudou desde então. Talvez tudo.
Dizem-me que este weblog se tornou bastante político. Não era esse o objectivo inicial (apesar desta estrela vermelha aqui ao lado ou do olhar atento do Mao...), mas é impossível falar a sério da China duma forma superficial sem se identificarem as origens das mentiras e confusões sobre este país (são as ridículas simplificações que geraram as mais absurdas ideias sobre este país e este povo). Nesse sentido, não me arrependo de nada do que escrevi.
Dizem-me também que este blog é bastante falado e que muitas vezes tentam atacar-me de várias e previsíveis formas. É possível que sim, na verdade estranhava se não fosse assim. Se calhar por dar uma perspectiva da China que era suposto não dar. A pequenez e cobardia intelectuais na internet revelam-se assim. E bandalhos e cobardolas não faltam e revelam-se sempre nestes momentos. Só a referência a "ruinix" significa imediatamente muitos acessos na internet.
Numa vertente mais pessoal, há quem me diga que devia ter cuidado com o fígado. E eu respondo, "que fígado?!...". São essas noites que me vão mantendo vivo. Se calhar porque o álcool conserva...
Mas um dia destes re-li os artigos dos meus primeiros meses na China. E gostei. Alguns deles fizeram-me rir e lembro-me que foi esse o principal, ou talvez único, objectivo desses artigos quando os escrevi.
Compreendo também que aquilo que escrevi nos últimos anos reflicta mais que o esperado. A começar pela forma. Mas pensando em retrospectiva, acho que fiz bem em não ter deixado de escrever quando de facto me apeteceu, mesmo que muitas vezes tenha mostrado que não estava nada bem.
Não almejo nenhum Nobel nem nenhum Pulitzer, com o ruinix ou com as minhas fotos da China, mas nestes 3 anos recebi algo muito mais importante.
Sei que as pessoas que realmente me importam, e que me vão importar sempre, não me deixaram mal e nunca deixaram de aparecer (mesmo que nem sempre concordassem com o que escrevi e, a seguir a um carinhoso comentário, me mandassem à merd... às urtigas via mail e as discussões sobre esses artigos se prolongassem por vários dias). É por vós (podia dizer "vocês", mas este termo sempre me pareceu muito abrasileirado) que continuo a escrever.
3 anos depois, a vários milhares de quilómetros de distância, tiveram sempre tempo e vontade de deixar aqui um beijo ou um abraço.
E nem que fosse só por isso, já valeu a pena.

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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

ruinix ai Zhongguo

Um dia ao sair do meu trabalho, antes de ir a HK, fui abordado na rua por uma miúda chinesa (toda jeitosa por sinal) que me fez um curto questionário sobre o que me interessa na China. Evidentemente, disse-lhe a verdade. Tudo. A cultura, a língua, as chinesas, a história, as chinesas, as cidades chinesas, a comida, as chinesas, ...
E quando voltei a Shanghai na semana passada, fui ao evento que ela me falou. Pareceu-me que podia ser interessante. E ainda bem que fui.
Uma das raparigas responsáveis pela "aula" nasceu na mesma província do Mao Zedong, Hunan, a outra tem umas espantosas... é bonita. E são as duas muito simpáticas, é bem possível que volte mais vezes.
Dias depois enviou-me umas fotos que tiraram por lá acompanhadas por um simpático texto, "... as a Chinese, it’s really my pleasure to have met one big fan of China and Chinese culture like you. You let me feel the passion and love towards China even many Chinese do not have..."
Yeah, wo ai Zhongguo.

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Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

Retorno a Xianggang (Hongkong)

Mas... o que ia escrever? Ah, voltei a Xianggang (aka Hongkong). Fui na semana passada e voltei ontem.
Foi a quarta ou quinta vez que fui a este lugar chinês mas decidi agora fazer uma coisa que nunca me apeteceu durante estes últimos 3 anos.
A minha namorada chamou-lhe compromisso. E é assim que lhe vou chamar também.
Mas comecemos pelo princípio. Quando estava a sair de Shanghai, aconteceu o eclipse do sol. Estava na entrada do Maglev, na manhã de quarta, quando passou a ser noite outra vez durante uns minutos. Estava a chover em Shanghai nesse dia, portanto não tirei fotos interessantes do acontecimento. Interessante só visto ao vivo. ;)
Mas depois o avião da China Eastern levou-me a Hongkong (lembro-me dos tempos em que só viajava de comboio para qualquer lado da China... tss tss lamentável, Rui). E entre resolver alguns dos assuntos que me levaram a Xianggang e dar umas voltas pelo sítio, passei uns dias porreiros (e ainda melhores noites) acompanhado por amigos (antigos ou novos).
Confesso que nunca fiquei extremamente impressionado com aquele lugar chinês desde a primeira vez que lá fui. Sem dúvida porque vivia em Shanghai há já algum tempo e prédios gigantescos de estranhas formas arquitectónicas não eram surpresa para mim. Mas eu nunca gostei de comparar lugares chineses e não vou começar agora.
De qualquer das maneiras, fizeram-me uma interessante proposta profissional em Hongkong, mas tal como já disse por aqui, é esta Shanghai que quero. Aqui e agora.
Tenho publicado fotos desta viagem a Xianggang (Hongkong) aqui.

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Segunda-feira, 20 de Julho de 2009

Estrela vermelha

Antes de mais, simpaticamente enviaram-me um mail num dia destes, duma universidade da China, a agradecer-me pelo que tenho escrito e a referir que o meu blog é ali objecto de estudo em aulas de português. Fiquei naturalmente muito contente mas não vou mudar nada do que escrevi. Quer seja sobre o glorigozo, quer volte a dizer que os Estados Unidos são comandados por forças fascistas.

Mas continuando, vai haver um eclipse total do sol na China na próxima quarta-feira. Por coincidência, nesse dia estarei a voar entre Shanghai e Xianggang (Hongkong). Pode ser que tire fotos, afinal de contas dizem que o próximo eclipse total do sol só vai acontecer daqui a 300 anos. E sei que pode ser um choque para muitos, mas sei de fonte segura que não vou ver esse.

De resto, é um facto que fico muito contente quando vejo a minha estrela vermelha tatuada no braço direito (ainda mais agora no verão), não só pelo que representa para mim mas também pela cara com que todos ficam quando a vêem. Caras simpáticas de aprovação e orgulho ou outras sem saberem o que fazer ou dizer.
Depois de espalhar pelo meu último site a frase: "Hospitals of the world, unite!" lembrei-me de uma antiga namorada que de vez em quando me dizia, meio na brincadeira meio a sério, "Rui, menos...".
Mas um dia destes num jantar, uma amiga chinesa perguntou-me a propósito da minha estrela: "Mas e se alguma vez fores aos Estados Unidos?", ao que lhe respondi, sorrindo: "Linda, só tinha uma razão para ir a esse país. Mas o Bin Laden roubou-me a ideia...".

publicado por r. às 02:05
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Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Shanghai sempre

A quantidade de pessoas que conheci aqui é realmente impressionante. Gente de todo o Mundo. Literalmente. Talvez seja isso que me apaixona neste lugar, talvez seja por estar longe da estup..... AHHHHH!!! Prometi a uma pessoa que não ia fazer isso... outra vez. E eu cumpro sempre o que prometo.
Há algum tempo disseram-me que eu já não "sou" de Portugal. É possível. Há já algum tempo que não sou nem me sinto daí. E não me arrependo minimamente.
Já vi muita gente chegar e muita gente partir. Depois de uma festa de despedida de arromba no sábado, ontem deixou-me mais uma dessas pessoas. E eu sei que vai bem da China porque aprendeu aqui o que qualquer pessoa pode aprender, assim que deixar de lado os preconceitos e os falsos complexos mesquinhos e saloios de superioridade.
Já não me chegam os dedos das mãos e dos pés para contar a quantidade de gente que passou por aqui, que ajudei (e que me ajudaram) de alguma maneira, que fizeram parte da minha vida num determinado período de tempo e que inevitavelmente rumaram a outras paragens. Também eu já tive duas propostas para viver e trabalhar noutros lugares fora da China.
Mas é exactamente esta Shanghai que quero. Aqui e agora.

publicado por r. às 00:46
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Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Hoje ao pequeno-almoço

Era fácil para mim fazer alguma piada porque os merenguitos enfiaram mais um grande barrete quando pagaram uma fortuna louca pelo Cristiano Reinaldo (um jogador banal que tem a mania que é o maior... além de ter sido deixado na m*rda em meia dúzia de palavras da Paris Hilton...), era ainda mais fácil fazer uma piada com o Glorigozo, que além do Filipe das Orelhas, tem agora um treinador chamado Jesus. Títulos em jornais como "Jesus no inferno" ou "Jesus crucificado" aparecerão certamente antes da quinta jornada. Mas pediram-me para não falar de futebol aqui (em especial dos mouros), e eu cumpro sempre o que prometo, a quem prometo. Mais ou menos.
Portanto, vou escrever outra coisa. Estava eu no café onde tomo o meu pequeno-almoço quando ouço uma discussão entre uma francesa e uma chinesa sobre a liberdade de expressão na China. Eu podia-me ter metido e defendido a chinesa mas, apesar de tudo, aquilo podia sempre descambar numa cat fight de T-shirt molhada com beijos e tal. E por muita razão que a chinesa tivesse, não mexo com a ordem natural das coisas. Há coisas (neste caso dois pares de coisas) que tornavam aquilo interessante tal como estava. Está tanto calor em Shanghai...
Mas a chinesa nem precisou de ajudas externas para apontar o que está bem evidente enquanto a francesa só repetia os argumentos idiotas transmitidos em qualquer teelvisão perto de si. O que tornou tudo muito fácil para a chinesa contrariar e ridicularizar, tal como para alguém que conheça alguma coisa sobre a China.
Mas sempre com uma espantosa graciosidade feminina. Apaixonei-me logo por ela.

publicado por r. às 08:07
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Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Linha 1 em Shanghai

line 1 in shanghai

Vários amigos chineses já me tinham falado da linha número 1 em Shanghai. Que era algo para se apreciar quando se viesse aqui, mas só ontem entrei num destes autocarros. Evidentemente que já tinha ido a todos os sítios por onde este autocarro passou (não vivesse eu em Shanghai há quase 3 anos...) mas é sem dúvida algo que aconselharei a quem vier aqui. Seja pela primeira, segunda ou vigésima quinta vez.
Shanghai não tem a riquíssima história de vários milénios como outras cidades da China, mas é uma passagem pela história passada e recente desta cidade.
Foi sem dúvida muito bom e que me arrancou alguns sorrisos ao passar nalgumas zonas de Shanghai e lembrar-me de pessoas, lugares e momentos inolvidáveis destes 3 anos.
Entramos numa paragem da Hengshan lu, passamos pela Huaihai lu, Renmin Guangshan (ou People's square ou praça do Povo para os leigos), Waitan (Bund), as novas construções da Expo 2010, Nanjing xi lu, ... Gostei muito.
Uma boa volta por Shanghai, ou pela "baixa" de Shanghai. Que em 2010, quando as obras da Expo estiverem concluídas, será ainda mais impressionante.
Estou a publicar algumas fotos aqui.

publicado por r. às 00:31
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Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Mais força para lutar

A China deu-me tudo o que queria. Mais até do que esperava. Reparo que aqui estive (nem que fosse apenas por umas semanas) com as únicas pessoas que me importaram em Portugal, ou que me passaram a importar desde que vivo na China. Esta triagem deu-me o que queria, separar o trigo do joio (sem qualquer referência bíblica...). E estar com a minha família, pelo menos a que me importa, e com as pessoas que estão mais perto do coração que o sangue.
Uns Estados Unidos que conseguiram fazer o que Hitler não conseguiu, e nem sequer com atitudes diferentes. Aprisionar parte do mundo numa nova ordem mundial. E para isso só precisou de mudar um bocadinho a sua comunicação com os seus súbditos ou lacaios.
Uma ICAR que devia ter desaparecido juntamente com o seu inventor, o império romano, mas que o império do momento a usa com os mesmos objectivos. Os insatisfeitos e inseguros sexuais sempre foram muitos. Mas na verdade este império é diferente, usa todas as mitologias esotéricas de forma a espalhar mais medo.
O que me importa é que me tiraste daquele mundinho mesquinho e... sou o gajo mais feliz que conheço. Deste-me o que eu queria.

Hubert: Regarde le celui-là, il a pas l'air méchant tout seul dans son cuir en peau de fesse de chèvre! Mais c'est la pire des races. Tu vois ceux qui s'arrêtent de marcher dans les escaliers mécaniques, ceux qui se laissent porter par le système? C'est les mêmes qui votent Le Pen (n.a.: ou em qualquer outro fascista, em qualquer outro país no mundo, mais ou menos disfarçado) mais qui sont pas racistes, c'est les mêmes qui font des grèves pour protester dès que les escalators y tombent en panne, la pire des races!

Como já foi dito, o que importa não é a queda. É a aterragem.

publicado por r. às 02:49
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Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Ensaio sobre a cegueira

Algumas pessoas perguntam-me ainda hoje, 3 anos depois, sobre o porquê de ter fugido vindo para a República Popular da China. As respostas nem sempre são fáceis... mas esta é.
O facto da TVI ser na altura (e continuar a ser) a teelvisão mais vista em Portugal pode ajudar a desvendar esse mistério. O facto de metade dos feriados em Portugal serem da religião que fundou Portugal, que não é a minha por opção própria e que não gosto nada (tal como de qualquer outra), também. E podia continuar, mas não é esse o principal propósito deste artigo...
Cada vez estou mais contente por ter decidido vir para a China. Estou feliz por me ter poupado a ser constantemente bombardeado pelo império por quase-notícias duma parcialidade gritante, descarada e absurda. A última dos meios de masturbação mental imperiais aconteceu nos últimos dias por causa das eleições no Irão. É impressionante a forma como o império tenta e consegue moldar o interior das cabeças dos seus súbditos...
Não tive o "prazer" de ver as pseudo-notícias nos pseudo-telejornais portugueses mas não deviam andar muito longe das ridículas manchetes do JN, DN, Público, Expresso e outros, no resto do ocidente as mesmas nojentas manipulações no New York Times, El Pais, Le Monde ou The Times mostraram bem como o absurdo circulou mais uma vez por esse lado. Porque podem ser azuis, brancos ou pretos mas as mentiras do império são as mesmas.

Mas depois lá tiveram de admitir que o "ultra-conservador" afinal foi eleito... com mais de dois terços dos votos (?!) dos iranianos, numa afluência às urnas de mais de 80%. E esperado também, tentam agora dizer que foi tudo falsificado.
Os métodos do império andam a ficar muito previsíveis...

Ao contrário da história do Saramago, só é cego quem quer.

publicado por r. às 01:21
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Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Praça Tian'anmen em 1989

4 de Junho. Bem, é um facto que não escrevo este artigo neste dia por acaso.
Muita gente me pergunta ainda hoje sobre este acontecimento, que pelos vistos é tão popular mas não é minimamente conhecido. E no que depender dos meios de masturbação mental continuará assim por muito tempo.

Há 20 anos atrás as forças de segurança da República Popular da China, a bem da segurança interna deste país, dispersaram os ocupantes da sua praça principal onde se tinham mantido durante quase dois meses. Mas terá sido a criação desse movimento tão espontânea? Terá sido aquele momento tão aleatório?
Como a bem da desinformação, do engano, da confusão os incidentes ocorridos na Praça Tian'anmen em 1989 nunca foram nem são muito bem esclarecidos (porque é assim que o império combate a China) urge iluminar o que de facto se passou.

Antes de mais, que país no Mundo permitia que a sua principal praça estivesse ocupada quase dois meses sem que as suas forças de segurança agissem? Pois, bem me parecia...
Mas a acrescentar a isto e ainda mais importante, uma palavra russa.
Glasnost. Por sinal a machadada final na União Soviética. A política que o império esperava que a China também seguisse. Mas felizmente não foi bem assim...
O início do suposto "natural e espontâneo" movimento que ocupou a praça Tian'anmen antecedeu em poucas semanas a vinda à China de um senhor russo chamado Mikhail Gorbachev (hail to the thief Gorbachev). Que grande coincidência... Curioso, não é? E não vinha fazer nenhum anúncio para a Pizza Hut...
Será que em 1989 com o colapso anunciado da União Soviética que se concretizou em 1991, e de alguns outros países que em tempos também foram comunistas, o império achava que iria conseguir acabar com o Marxismo-Leninismo na China também? Será que o que se passou na praça Tian'anmen em 1989 não foi previamente pensado e organizado como muitas outras pseudo-revoltas dessa altura? A história e os factos não se apagam nem se re-escrevem nem se contornam senhores quase-jornalistas.
Felizmente não correu como esperavam. E felizmente a China continua a ser República Popular. Da qual muito me orgulho de pertencer. Com defeitos e virtudes e até algumas contradições no processo revolucionário ao longo destes 60 anos, como não podia deixar de ser sendo esta uma sociedade de seres humanos para seres humanos, mas que apesar de tudo, tenta e CONSEGUE roçar a JUSTIÇA para o seu povo. Ao contrário de todos os outros sistemas políticos.
Mas... será isso que incomoda tanto o império? A justiça?
Não sou bruxo mas sei que são estas as perguntas a que os meios de masturbação mental continuarão a não procurar respostas. Não interessa a verdade, dizem eles. É mais importante salvar a falácia e manter a confusão. Sem as mentiras sobre a praça Tian'anmen em 1989, sem as mentiras sobre a ilha chinesa de Taiwan, sem as mentiras sobre a província chinesa do Tibete como é que mantinham as desinformações e as confusões sobre a República Popular da China?...

publicado por r. às 00:02
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dalai-lama...





ACTUALMENTE

hoje: 1/10/2009
gps: Shanghai, China
pensamento(s): ocupemos a trincheira que a jornada é guerreira;
- eu apoio o PCP;
- 60 anos da República Popular da China. Tal como Mao Zedong, que esta experiência revolucionária comunista viva 10000 anos;
- o ruinix reconhece a Abkhazia e a Ossétia do Sul como países independentes;
- feliz pelos 60 anos da libertação do resto do povo chinês e pelos 50 da libertação do povo tibetano;
- information age of hysteria,
it's calling out to idiot America;
(n.a.: e não só a América...)
- para quando a verdade sobre o 11 de Setembro de 2001? Ou é apenas um fetiche americano com os 11 de Setembro?;
estou: a desenvolver um site/base de dados de milhares de hospitais do mundo e muitas outras coisas;
- com o chinese pod nos ouvidos;
- contente pela China, sempre vermelha;
a ler: - feeds de blogs;
- mails (muitos...);
a comer: burritos, fajitas e quesadillas;
a beber: chá pu'er de Yunnan;
a ver: "The Founding of a Republic";

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